O mundo é tão grande, tão grande e eu sou tão pequena.
Às vezes oiço o vento e canto sozinha só para me ouvir e não me sentir desacompanhada mesmo quando só quero estar comigo.
E sim, lembraste? Lembro-me de tanta coisa, de tanta coisa que ficou a pairar na minha imaginação e outras tantas que ficaram estagnadas no patamar do indizível querendo soltar-se, mas sempre com renitência.
Oiço uma música que vem de dentro e faz-me render-se-lhe. Entrego-me e deixo-a guiar-me, parece saber bem mais que eu. Esqueço-me do momento e penso nostálgica naquilo que passou e em todas as coisas que são tanto para além de mim.
Lembro-me que o tempo passa de rasgão e acena-nos depois com um sorriso nos lábios como se soubesse a falta que nos faz, a marca que nos deixa e este sentimento sempre insaciado de querer que se chegue mais de perto, só para lhe vermos o rosto de relance, só para sentirmos o que já sentimos, só para tentar esconder a saudade.
A saudade tal como a nostalgia são ambos sentimentos fortes e, nalguns casos, insaciáveis. Isso fá-los grandes, concedendo-lhes um valor tal que nem temos logo noção.