São as nossas escolhas que nos definem. Não poderia ser um dito mais acertado. É claro que a nossa personalidade tem muito a dizer de nós, talvez até mais que nós próprios. Contudo, são os caminhos que escolhemos que nos moldam, que nos transformam e que nos dizem quem somos.
Esta minha conclusão provém de um resumo de situações que coleccionei de pessoas que já me foram tão próximas e que, agora, as nossas escolhas diferenciaram-nos de tal modo que nos tornámos irreconhecíveis uns para os outros. Não há mais identificação. Neste sentido, é legítimo que defenda que são as nossas escolhas que ditam a nossa identidade, quem queremos ser.
Acredito ainda que, são as escolhas mais difíceis que nos tornam melhores pessoas. São contra vontade e, por isso, há um maior empenho. É como lutar contra a nossa personalidade.
É claro que é difícil mudar algo que não gostamos em nós na sua totalidade, mas com vontade, conseguimos amenizar. Eu já o fiz e talvez por isso espere tanto dos outros. A verdade é que nem todos querem escolher esse caminho, de combater algo que não gostamos em nós pois é uma luta muito difícil e sabemos que nunca seremos totais vencedores pois ficará sempre lá um bichinho.
O pensar nas diferenças que me distinguem de quem já me foi tão próximo pôs-me a pensar numa justificação para esse facto porque para mim tudo tem de ter algum sentido. Por agora, é assim que o justifico. Cada um segue o seu caminho, o caminho que o vai definir por aí adiante - o mais importante. Sim, penso que são as nossas escolhas na juventude que definem tudo o resto e quem já foi nosso compincha, vêmo-lo agora como alguém com quem já não temos nada em comum. Porquê? Porque as nossas escolhas geraram experiências diferentes, não comuns, que nos foram apartando e os pequenos fios dissociaram-se, já nem se conhecem.
Conheço-lhes o nome apenas. Aquela pessoa que aparenta ser a pessoa que já me foi tão especial é agora um outro ser que lhe roubou a aparência e o nome, que lhe roubou a vida, a sua identidade.
O mesmo pensarão de mim.
Nesta acepção, considero muito acertada esta máxima: são as nossas escolhas que nos definem e, por isso, temos de ser muito cuidadosos porque podem definir o nosso futuro e, por vezes, não se pode mais voltar atrás.
sábado, 28 de dezembro de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
O Tempo
Já la vai muito tempo desde a última vez que dediquei tempo ao meu próprio tempo. Talvez tenha sido do pouco tempo que tenho para estar sozinha e pensar.A questão torna-se intemporal e corrobora aquilo que é já sabido como universal, uma verdade presente e constantemente inderrubável.Descobri, não da melhor forma, que não me cabe a mim endireitar o mundo, e por mundo refiro-me aos mundos que estão dentro de cada um. Não me cabe a mim tecê-los consoante a minha vontade apenas porque depreendo que a minha verdade é a mais correcta. Qualquer um pensará o mesmo ou não tomaria as acções que toma, seria um contra-senso e anti-natura. Devo portanto pensar que não posso determinar consoante a minha personalidade a personalidade do outro, não devo talhá-la porque ela no fundo será sempre filha dessa mesma carne que é o meu negativo.Nem sempre aquilo que se nos opõe é o melhor porque os prós e os contras são cartas que acompanharão sempre o baralho e por vezes os antagonismos são o insuportável, o que nos corrói e não o que nos lembra de tentar ser melhor.Sempre vivi nesta ilusão. De que as palavras poderiam encher corações ou trazer novas atitudes que fossem ao encontro do meu querer. A verdade é que nada é perene e, como tal, também não o são nem as palavras nem as atitudes. São apenas um meio para atingir um objectivo durante um determinado período, até as palavras serem outras, até as outras se perderem no tempo.Talvez seja afinal tudo uma questão de tempo. O tempo que devemos a nós próprios para reflectir sobre o que é melhor para nós. Tempo que perdemos em tentar acomodar-nos com o insuportável quando poderíamos enchê-lo com tempo para o que realmente nos faz sentir bem connosco e com os outros.Isto faz-me muito sentido, novamente, porque sempre pensei o contrário. Não sou eu que tenho que mostrar que estou certa quando posso até não estar. Preciso é do suportável conforto que me diga que estou bem assim como estou e todas as palavras insólitas que dizemos por tolice quando sentimos que alguém nos é suportável e não o inverso.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Dentro da Caverna
A minha escrita não morreu, persiste embora desacertada e sem nada que lhe acrescente valor ou novidade.
É como um corpo jazido, sem reacção, que está lá mas não está. É uma presença não presente, é um presente que já foi. "É um contentamento descontente".
Não sei mais se é salvação ou a minha crucificação, todavia sei-a incompleta, fragmentada, ridícula, fatigante, redundante, incolor.
Não a sinto mais como refúgio, não sei mais como a sentir. Os temas não desenvolvem nem progridem e a minha decadência é a corda que eu própria coloco à volta do pescoço.
Acredito em utopias que me fazem sofrer e são o meu degredo, a minha morte. Daí não consigo florir nem renascer, não consigo crescer nem aprender, não consigo ser-me.
Embrulho-me na minha mágoa e sufoco-me, faço-me verter sem me oferecer qualquer solução.
Parece que mesmo sabendo o quanto me corrói, eu prefiro continuar na caverna.
É como um corpo jazido, sem reacção, que está lá mas não está. É uma presença não presente, é um presente que já foi. "É um contentamento descontente".
Não sei mais se é salvação ou a minha crucificação, todavia sei-a incompleta, fragmentada, ridícula, fatigante, redundante, incolor.
Não a sinto mais como refúgio, não sei mais como a sentir. Os temas não desenvolvem nem progridem e a minha decadência é a corda que eu própria coloco à volta do pescoço.
Acredito em utopias que me fazem sofrer e são o meu degredo, a minha morte. Daí não consigo florir nem renascer, não consigo crescer nem aprender, não consigo ser-me.
Embrulho-me na minha mágoa e sufoco-me, faço-me verter sem me oferecer qualquer solução.
Parece que mesmo sabendo o quanto me corrói, eu prefiro continuar na caverna.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Incorpóreo
As palavras saem ao contrário, de pernas para o ar, ditas e malditas, proferidas sem sentido, à toa, são qualquer coisa, são coisa nenhuma, a minha sorte é o meu azar.
Canso-me de viver num rodopio do qual não saio. A minha insegurança é a minha morte e as palavras nunca me salvam. Sinto-me um pedaço de nada, perdido e abandonado que a ninguém faz jeito.
Predomina aqui qualquer coisa que desconheço, mas que é forte porque me mantém, apegada à mágoa e incapaz de a ultrapassar, de vencer as palavras e ser mais que elas.
É como decidir por fim espetar-me num muro de picos sobre os quais sei que doem mas não matam e não sou capaz.
Queria mudar-te, para melhor. Abrir-te os olhos e fazer-te ver que a vida tem tanta cor e olha para mim tão colorida. Mas teimas em cerrar os olhos e abraçar o teu dogmatismo até ao fim onde lugar para mim o não há. Devias acordar e ver que não sou o sol, mas também não sou a lua, sou um intermédio aceitável que recusas ver. Vês-me como algo cadavérico em decomposição, jazido.
Talvez estivesse melhor com um arco-íris e tu com uma cor só que exalte o pior de ti, como tanto aprecias. Sinto que sou demasiado fraca para estar contigo e vencer as tuas palavras maldosas, sou demasiado fraca para te conseguir abrir os olhos, para te fazer sentir algo nesse coração que deixou de bater há anos...
Um dia vais valorizar-me, acredito que sim, mas será demasiado tarde para utopias.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Peça Deslocada
Sinto o vocabulário redundante e cansativo. Caminhando numa
direcção sem fim, sem rumo, sem intermediários, sem nada, caminha solitário.
Nem sempre são esses caminhos que mais ansiamos, aqueles
pelos quais mais lutamos, mas são os necessários. Acredito ainda que nem sempre
uma pequena alegria pode tapar o vazio que sinto, mesmo que esse vazio seja
desde o início previsível. Talvez seja um problema de força, de coragem, de
verdade, de entrega. Talvez seja um problema de uma coisa que é inata.
Faço de mim rio e sinto-me burlesca. Falo para comigo porque
as vozes que em mim ecoam são apenas memórias. Falo comigo para me sentir viva
e querida, para me consolar a mim mesma, para me dizer em murmúrio “vais ficar
bem”.
Precisava de algo novo, de algo sincero, de um vocabulário
que fosse um complemento do meu, que me entendesse e procurasse, que vivesse do
meu querer e eu do dele. Mas na verdade tudo é uma contingência, tudo é aquilo
que queremos que seja e esse querer é geral e não particular, é por isso que
magoa quando nos desilude.
Posso parecer ridícula com todos os meus grandes testamentos,
com todos os meus livros, com toda a
minha anti-socialidade, se é que tal existe, mas é tudo isto que me abarca quando
me sinto só. Isto e só isto. Não há ninguém. Nunca ninguém percebe e eu também
não faço disso assunto.
As pessoas próximas são como passarinhos que temos em casa,
se abrirmos a janela eles podem voar para longe, para muito longe e nunca mais
por nós serem vistos. Deixo os meus passarinhos voar porque também sou apenas
uma peça deslocada dos mesmos. Sinto-me incompreendida e lá certo é quando
alegam que nos fazem falta passarinhos que se assemelhem a nós. Talvez seja isso que tenho
em falta. Talvez seja isso que me faça abrir a janela. Talvez seja isso que me
deixe maribunda, falando comigo mesma por longas locuções estranhas a todos e intrínsecas para
mim.
Pareço um bicho do mato que se esconde do mundo. Quer proteger-se,
mas acaba sempre por ser descoberto. Não tenho soluções para mim mesma sem ser
dizer-me que nem tudo é, como já disse, como queremos porque o mundo não se
passa na nossa cabeça, mas fora dela. O tempo esse, que nos mata e consome, que
tantas vezes é menor e maior, esse e só esse nos vai passando ao de leve a
impressão de que algo voou em tempos, embora já nem me recorde se pássaro era.
É o mais demorado, mas não há dúvida que é o mais eficaz.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Desencontros
É engraçado como dentro do baú tudo o que sai tem pó e um grande peso temporal.
Sinto saudades minhas, se é que é possível. De quem eu era, daquela rapariga particular que acreditava nas pessoas e podia até pensar de modo semelhante a tantas outras, mas era peculiar à sua maneira. Agora vejo alguém que pelo caminho deixou cair palavras e nunca ninguém as apanhou. Perdeu-se, perderam-na. Não sente, não se sente, não é sentida.
O seu toque é frio e a sua pele é pedra. Perdeu a cor e o brilho, só vê prosa, perdeu a rima.
A inspiração que a definia, que definia e diferenciava os mais próximos dos mais apartados. Usava a prosa para a desgraça e a poesia sempre para o sorriso.
Não sei quem escreveu as palavras do poema que encontrei perdido no baú. Sentia-o como algo distante ao ponto de ter a necessidade de relembrar, mas não o pensei tão inocente. Cada palavra era uma promessa, era um brilho no olhar de uma rapariga ingénua e menininha que não fazia a menor ideia de que as palavras magoam e as mentiras, pois bem, moldam o mundo. Não sabia que este eien teria a importância que se mostrou e que o erro nos emaranhasse e parecesse luz.
Ler as minhas palavras, ler as tuas. Já faz alguns anos. Não é que estejamos velhinhos, mas as palavras tornam-se velhas e os sentimentos também. Transformam-se. Acho que compreendo agora um filme que me incomodou tanto, talvez porque não queria aceitar a sua veracidade.
Às vezes, mesmo que realmente se sinta algo por alguém, com o nosso crescimento, também crescem os sentimentos e não quer isso dizer que não tenham sido verdadeiros, mas por vezes quando estes crescem, crescem em direcções opostas. Não creio que tenha sido esse o nosso principal impedimento, mas aquilo que me impede de acreditar é a sensação que tenho que nunca sei se é real ou fictícia, os teus indícios não são concretos e deixam-me sempre à borda de água.
Não te consigo escrever, mas tinha que me escrever a mim. É tempo de me acertar, de me encontrar sem saber como. Apesar de magoar, não vejo a minha ingenuidade como algo difamatório mas antes como algo puro e importante, raro.
Sei que as tuas antigas palavras não me pertencem, as atitudes mostram-no à luz do dia.
Queria não me inventar desculpas e ir à minha procura. Mas o fim é sempre o amanhã e enquanto este chega e não chega, a rapariguinha que talvez um dia qualquer te interessou, afasta-se, de ti e de mim. Vai para longe, desencontrar-se.
As nossas roupas estão apertadas demais, engordamos a nossa personalidade, resta saber se no sentido certo.
Sinto saudades minhas, se é que é possível. De quem eu era, daquela rapariga particular que acreditava nas pessoas e podia até pensar de modo semelhante a tantas outras, mas era peculiar à sua maneira. Agora vejo alguém que pelo caminho deixou cair palavras e nunca ninguém as apanhou. Perdeu-se, perderam-na. Não sente, não se sente, não é sentida.
O seu toque é frio e a sua pele é pedra. Perdeu a cor e o brilho, só vê prosa, perdeu a rima.
A inspiração que a definia, que definia e diferenciava os mais próximos dos mais apartados. Usava a prosa para a desgraça e a poesia sempre para o sorriso.
Não sei quem escreveu as palavras do poema que encontrei perdido no baú. Sentia-o como algo distante ao ponto de ter a necessidade de relembrar, mas não o pensei tão inocente. Cada palavra era uma promessa, era um brilho no olhar de uma rapariga ingénua e menininha que não fazia a menor ideia de que as palavras magoam e as mentiras, pois bem, moldam o mundo. Não sabia que este eien teria a importância que se mostrou e que o erro nos emaranhasse e parecesse luz.
Ler as minhas palavras, ler as tuas. Já faz alguns anos. Não é que estejamos velhinhos, mas as palavras tornam-se velhas e os sentimentos também. Transformam-se. Acho que compreendo agora um filme que me incomodou tanto, talvez porque não queria aceitar a sua veracidade.
Às vezes, mesmo que realmente se sinta algo por alguém, com o nosso crescimento, também crescem os sentimentos e não quer isso dizer que não tenham sido verdadeiros, mas por vezes quando estes crescem, crescem em direcções opostas. Não creio que tenha sido esse o nosso principal impedimento, mas aquilo que me impede de acreditar é a sensação que tenho que nunca sei se é real ou fictícia, os teus indícios não são concretos e deixam-me sempre à borda de água.
Não te consigo escrever, mas tinha que me escrever a mim. É tempo de me acertar, de me encontrar sem saber como. Apesar de magoar, não vejo a minha ingenuidade como algo difamatório mas antes como algo puro e importante, raro.
Sei que as tuas antigas palavras não me pertencem, as atitudes mostram-no à luz do dia.
Queria não me inventar desculpas e ir à minha procura. Mas o fim é sempre o amanhã e enquanto este chega e não chega, a rapariguinha que talvez um dia qualquer te interessou, afasta-se, de ti e de mim. Vai para longe, desencontrar-se.
As nossas roupas estão apertadas demais, engordamos a nossa personalidade, resta saber se no sentido certo.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Subscrever:
Comentários (Atom)