domingo, 24 de maio de 2009

Visível Por Um Dia

Posso não ser estrela cujo seu brilho ofusque, mas tenho uma luz tão intrínseca que é, simultaneamente, tão invisível aos teus olhos.
Será por cansaço ou mesmo por problemas de cegueira que passo por ti e te ilumino enquanto tu pareces ficar estagnado na tua própria escuridão.
Tenho a minha sombra. Também ela te incomoda, mas não percebes que sou eu. Se gritar ou fizer gestos ridículos à toa, tu permaneces impreterivelmente impávido e sereno.
Tens uma calma envolvente e, ao mesmo tempo, tão frustrante.
Como não me vês, consideras-te quase como o único ser existente e que ainda coexiste, por muito estranho que pareça. Esqueces-te que não tens sempre os olhos vendados e que o caminhar para a luz e dar sinal de erro, de engano pode ser difícil, contudo é também exclusivo e nobre. Especialmente, nobre.
Nem todos carecemos dessa particularidade. Ou melhor, necessitamos, mas a ilusão cega alguns de tal forma que, para esses, nada mais existe senão a pomposa falácia.
À mesma associo tudo aquilo que é corrosivo e traiçoeiro e, por isso, é para mim tudo aquilo que toma as sombras por verdadeiras, afastando-se da sua essência e de outras luzes que em si incidem.
Esforço-me para que o meu raio seja valoroso e para que tenha significado, para que não só o vejas, como também o recebas sentindo-o, reconfortando-te nele. Espero que seja recíproco. Anseios e devaneios é tudo o que me tens ofertado por meio dessas sombras que nem vocábulos convenientemente correctos bem expressam, tal não é a sua promiscuidade com aquilo que é violável.
Não me sei ser e a minha luz é tantas vezes mal utilizada e usufruída.
Todavia, nada é mais importante do que um simples cair e levantar. Não existe nada mais belo, se soubermos elevar o espírito, aprender e ganhar novas defesas.
Falas com as certezas que não tens. Também sobre elas não tenho poder, mas procuro ver-me e ver-te e depois sim, deliberar e tirar conclusões.
Cabeças quentes nunca venderão felicidades instantâneas e o instantâneo não é o feliz porque refere-se a um simples, curto e efémero momento.
Que se fale antes de uma suave alegria que vai posteriormente destoar com os ásperos e austeros remorsos.
Ao menos que os vejas por ti mesmo, já que a minha credibilidade te é indiferente.
Sei que não sou pessoa em quem notes, mas gostava tanto de um dia o ser. De ser-te visível por um dia. Um dia que tornaria eterno.

Sem comentários: