sábado, 6 de junho de 2009

Não Vens


As palavras são redundantes e inserem-se em argumentos circulares vários. Já não há daqueles vocábulos que tanto me encantaram, aonde é que vim parar?

Os olhares já não se cruzam e as emoções perderam-se no tempo, infeliz o teu contentamento, infeliz o meu lamento.
Que se lhe acrescente um suplemento se é dessa carência que lhe falta, não há já rosto que me distinga, é o fugir à igualdade que me iguala.
Doloso é saber que te perdi quando numa tarde ao relento soprei. Não pensei que fosse no mar onde te encontrei que de mim tu fugirias.
E correste, correste e nada me disseste. Viraste-me a cara, abandonaste o teu olhar ainda terno, e deixaste que apenas o vento fosse dono e senhor do cabelo que só a ti pertence.
Não pensaste na saudade que deixaste ao partir para fora de mim.
Não pensaste que te queria e quero aqui. És tão apartado.
As palavras ocas já não me iludem, apenas acções dir-me-iam o contrário que tanto anseio. Apenas essas aliadas a uma vontade que, julguei ingenuamente que em ti imperava, me acordariam deste sono tão pejorativo.
Fizeste tudo para que acreditasse nessas tuas palavras soltas, insensíveis, delineadoras de um futuro amante, tristes, vazias, tuas para mim.
Não sou ninguém que te mereça. Não sou ninguém de especial. Sou-me como aprendi e me fui traçando.
Não sou quem procuras, não sou parte das tuas loucuras e, muito menos, sou parte de ti.
Deixa-me ali deitada, imóvel, à tua espera quando sei que não vens porque…

Por que é que não vens?


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