Estou ausente de mim. Tirei uma folga e quero paz. Quero um imaginar de um paraíso, quero ouvir a nascente onde os passarinhos cantarolantes afagam a sua sede. Quero ouvir a musicalidade que o vento tem quando roça nas folhas soltas e estas, por sua vez, dançam desalmadamente, provocando assim, uma sinfonia paradisíaca, repleta de quietude, calma e divindade.
O mar está calmo, como é costume, e os animais selvagens são tão autónomos e singulares que deles medo não tenho.
A vida aqui é pacífica. A vida aqui parece ser como um refugir à cidade corrosiva, deturpadora, mutiladora e feia.
Não vejo ninguém, sou apenas eu nesta ilha. Conheço além uma tribo, mas, ainda que diferente, agora quero é conhecer-me por cada recanto deste lugar. Quero desvendar uma parte de mim oculta, que estagnou ou que não conheço, quero exaltá-la, apetece-me sorrir.
Não quero pensar porque pensar dói. Quero assimilar todo o conhecimento empirista e apagar tudo o resto. Quero começar do zero e formar novos conceitos com base na experiência.
Espreito por entre a densa vegetação e logo faço parte dela. Aceita-me tão bem e esconde-me por entre as suas folhagens cada uma com um aroma ainda mais característico que a anterior.
Olho e não se abre caminho se não a afastar com um pau que consegui depois de regatear com um selvagem. Não serei eu também uma agora? Não, ainda não. Hei-de ser, quando me libertar do que me prende e me souber ser e sobreviver neste mundo, para estar preparada para o grande Regresso.
Quero ser selvagem, não tenho qualquer vergonha porque esses demonstram ser tenazes e confiantes das suas capacidades, são o seu máximo e, são, acima de tudo, felizes.
São primatas, são. Mas estão tão longe dos pecados que corroem o homem – ele mesmo.
A minha evasão faz-me duvidar da minha fisionomia e aspirar uma outra talvez muito mais psicológica e utópica, mas dulcíssima. Onde a vontade que impera é a de entrar tantas vezes por esta porta para me ser no correcto e viver o melhor de mim.
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