segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sopro do Vento

Tenho os pés gelados, já se sente o avizinhar de mais um Inverno. O vento sopra lá fora, gritando e afugentando enraivecido os males do mundo – as pessoas. Se pudesse, soprava com ele.
Sopra também à minha janela procurando afastar-me mais para onde eu não sei, para onde não caibo nem lugar tenho.
Se lhe contasse um segredo sei bem que ele não o manteria sobre esse mesmo estatuto, mas eu sentir-me-ia tão mais aliviada se ele me ouvisse. A verdade é que nem sei o que lhe dizer nem contar. Queria contar tanto de mim e não consigo. Fui-me perdendo por entre densas entregas e, de mim, já pouco detenho.
Estou que nem um puzzle de mil peças com apenas duas montadas. Todas as minhas peças parecem incompatíveis umas com as outras, díspares e confusas sem nada que as ligue entre si nem elas a mim.
Pergunto ao vento por mim numa atitude já saturada de me ser, mas ele apenas sopra. Sopra louco, desvairado, forte e imponente. Sopra porque sou também pedaço de carne maligna e pecadora. Sou também pessoa. Pessoa que ele quer afastar, mas desta vez, para eu não mais a mim mesma afectar.

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