sábado, 1 de janeiro de 2011

Um dia vou soprar-te

Gostava de dizer que não, mas sinto tanto a tua falta. Não é bem a falta, mas o bem que me fazia sentir que te tinha. Dava-me força e alento para seguir em frente, para ser capaz. Apesar de todo o mal que me causaste o meu sentimento por ti fazia-me sentir bem comigo mesma e, apesar da tristeza, havia sempre lá qualquer coisa que me fazia acreditar, que sabia que até te importavas, que sabia que até me ouvias.
Talvez nada disto real fosse e o que escrevo seja apenas um desabafo só porque hoje me deu para humedecer.
Não devias ser mais o meu assunto para escrever pois considerei-te um capítulo encerrado. Já lá vão quase três e eu aqui, estupidamente ainda a sentir por ti. Não devia ter-te encontrado, nem tão pouco te ter ouvido, porque apenas falsidades me vendes. Não posso estar perto de ti, mas as nossas vidas entrelaçadas não se conseguem não cruzar, não consigo não te ver nem tão pouco não te falar. Estás em todo o lado por onde vou. Quero mudar de país. Mas não vou mudar por ti porque não te quero dar tamanha importância…
Parece que não consigo acreditar que não posso acreditar mais em ti visto que o teu discurso é palavroso e falacioso. Mas até percebo porque é que quero acreditar que há algo bom em ti: eu quero que te arrependas, quero que olhes para dentro de ti e te envergonhes, quero que caves um buraco no chão e lá te escondas. A ti e à vergonha que não tens.
Devia saber de antemão que isso não vai acontecer porque te amas demasiado. Aliás, talvez sejas a única pessoa que tu alguma vez amaste e vais amar.
Não tens importância. Não devias tê-la para mim. Quando te oiço quero o silêncio. (Queria não te sentir por perto.) Quando te vejo quero cerrar os olhos. Queria não te encontrar quase sempre que o sol nasce. Talvez assim tudo fosse mais propício para o esquecimento erguer a sua varinha de condão e o tempo poder falar por si. Mas tenho de te ouvir. E o mais difícil: nenhuma palavra que da tua boca escape posso tomar como sincera... As tuas palavras são ruído.

Um dia vou desfazer-me de ti.
E quando fores pó, vou soprar-te.

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