domingo, 10 de abril de 2011

Carta

Queria não falar. Queria somente fugir. De rosto escondido ou sem ele, cabelos emaranhados que me não deixam desprender desta corrupção.
Se as minhas palavras são água então deixem-me fugir com elas. Para lá, para longe, para o meu lugar.
Deixem-me ficar, deixem-me cantar e enamorar-me comigo mesma, feita louca correndo em círculos, procurando incessantemente parecer sã.
Estou farta de ouvir e que me seja imposta a premissa que me sela os lábios, tal qual um envelope que contém um meio de comunicação, mas que o não deixa comunicar, come-o, retém-no dentro de si mesmo.
Quero enviar a minha carta, é bem grande e apela a tão pouco.
Mas o meu selo também já não me corresponde e antes de ser selada já tenho a leve sensação que nunca serei lida(entendida).
Como eu queria ser lida. Como eu queria poder querer. Poder falar sem tudo ser alvo de profanidades.
Diz-me o que ganhas em fazer de mim fraca. Eu, sangue do teu sangue, que ganhas tu?
Afastamento? Os dias passam mais rápido do que nós damos conta e um dia, quando menos esperares, a minha carta não estará mais atafulhada no meio de tantas outras que nunca ousaste abrir. Não. Um dia, mudarei eu mesma o meu selo e serei aberta, lida e relida, guardada e estimada, algures no meio de um entendimento inexpressável, mas compreensível… algures, num outro lugar qualquer, menos aqui.

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