Queria não falar. Queria somente fugir. De rosto escondido ou sem ele, cabelos emaranhados que me não deixam desprender desta corrupção.
Se as minhas palavras são água então deixem-me fugir com elas. Para lá, para longe, para o meu lugar.
Deixem-me ficar, deixem-me cantar e enamorar-me comigo mesma, feita louca correndo em círculos, procurando incessantemente parecer sã.
Estou farta de ouvir e que me seja imposta a premissa que me sela os lábios, tal qual um envelope que contém um meio de comunicação, mas que o não deixa comunicar, come-o, retém-no dentro de si mesmo.
Quero enviar a minha carta, é bem grande e apela a tão pouco.
Mas o meu selo também já não me corresponde e antes de ser selada já tenho a leve sensação que nunca serei lida(entendida).
Como eu queria ser lida. Como eu queria poder querer. Poder falar sem tudo ser alvo de profanidades.
Diz-me o que ganhas em fazer de mim fraca. Eu, sangue do teu sangue, que ganhas tu?
Afastamento? Os dias passam mais rápido do que nós damos conta e um dia, quando menos esperares, a minha carta não estará mais atafulhada no meio de tantas outras que nunca ousaste abrir. Não. Um dia, mudarei eu mesma o meu selo e serei aberta, lida e relida, guardada e estimada, algures no meio de um entendimento inexpressável, mas compreensível… algures, num outro lugar qualquer, menos aqui.
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