domingo, 20 de abril de 2008

O Grito



Coração inocente que bate forte, quando alguém algum motivo para isso lhe dá. Inconsciente das consequências, mas bem ciente daquilo que sente, segue em frente e não olha para trás.
Vive em tempos quentes, grandes paixões, emoções tão entusiasmantes, que nunca antes procurou tê-las, nem da sua existência sabia e nem nelas acreditava.
Loucura e devaneios, se assim se lhe pode chamar.
Vive-os numa despreocupação que só com o Presente se preocupa, com o momentâneo.
Todavia, não é do momentâneo que vive. Este coração que se alimenta de sentimentos e intrínsecos, procura somente a essência mais profunda de um só ser.
Desvendar todos os seus mistérios, medos e tormentos, bem como, todas as alegrias e risos escondidos no passado.
O céu azul, sem nuvens ou coberto de nuvens esbranquiçadas é agora o céu cinzento, coberto com nuvens de cor igual, que podem ou não chorar pelos pecados humanos. De alegria e em harmonia com a desgraça do mundo é que não choram certamente.
E com elas choram incertezas e certezas. Tristezas e alegrias. Maus e bons momentos. Sonhos e fantasias que criam um nevoeiro na nossa realidade, impedindo-nos de a poder ver, fazendo-nos apenas olhar.
Coração que enfrenta maus tempos e que se sente só e sofredor da sua própria angústia, não está só realmente. Apenas não o sabe ele disso.
A neblina quase que lhe cega os olhos, e o frio, esse não deixa as suas palavras soarem livremente.
A liberdade condena-se e condena-o.
Sente-se amordaçado e cego. E, por isso, não fala e não vê se está correcto o facto de não falar por não conseguir, ou se deveria pelo menos tentar exprimir-se, ainda que apenas o fizesse quase como que em onomatopeias.
É certo que coração dilacerado não sente o tempo frio igual ao que sentiu em tempo quente. Coração que se diz magoado, não esquece quem magoa nem o que o magoou.
E se o que em tempos viveu, o fez esquecer o seu sentido e agir um pouco pela excitação do momento que pensou e quis eterno, quase que implora agora por esses tempos passados. Não por sentimentos passados, mas por cuidados, carinhos, palavras, expressões, gestos, carícias e tudo o que a isto está relacionado, passados.
Coração que prevê e premedita o fim. Que por vezes chora e que por vezes tanto lhe apetece chorar como desabafo e as lágrimas fazem por não sair, enquanto as palavras ferem como nunca antes feriram. Parecem mais aguçadas que as próprias espadas, ou se calhar está o nosso coração demasiado magoado e sensível. Ou estará apenas escondido num egoísmo e individualismo que não os reconhece como seus. Ou estará a ser apenas um coração diferente do que aquele que se conheceu em dias de calor.
Agora quer apenas que o deixem ser aquela nuvem negra, inalcançável, que acabará sempre por molhar quem se diz seco ou demasiado molhado com tudo…

É o grito!

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