terça-feira, 14 de outubro de 2008
Ego na multidão
Fui tentar-me no alto de mim
Quis ser quem não sei
Medo de ser mais que eu talvez
Medo de ser alguém.
Fui falar-me às vozes ouvintes
Procurei nelas respostas ansiadas
Refugiei-me na minha angústia
Das aventuras passadas.
Fui ver-me ao Passado
Tão esquecido como de nome é
Não me veio a mim a montanha
Quero ser como Maomé.
Fui a identidade que perdi
Sou o nome que abandonei
Letras soltas sem sentido
Não tenho sequer apelido
De onde virei não sei.
Fui ser e não soube
Quis acreditar em mim inutilmente
Sou tudo aquilo que desconheçoDizem-me que até sou gente.
Fui e sou parte da multidão
Que todos vêem, mas que ninguém repara
Sou tão visível como os outros
E tão insignificantemente rara.
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