Sopra vento, sopra. Sopra as palavras sem enchimento que poisam desnorteadas no reino do Esquecimento. Sopra o que foi e o que não será. Sopra tudo.
Limpa as impurezas e faz-me não ouvir. Sopra vento se a mim sempre sopraste, se tudo sempre foi tão leve como o pó. Então sopra e deixa-me desamparada.
Sopra porque enquanto soprares sempre tens ocupação e eu de ti já tudo isso espero, não consegues desiludir-me mais porque fechei os olhos que já não mais querem abrir por ti.
Vento invejoso que queres ocupar-te de todo o imatérico do qual dependo, queres arrancar o que em mim já não existe, o que tu levaste num sopro fugaz e cruel, irrequieto e impiedoso, tão insensível e pecador.
Sopra vento, sopra. Eu sei que tudo o que por ti passa é mutável, sopra as expressões, sopra o que me construiu um dia, sopra a minha memória, sopra as palavras que nunca me pertenceram. Sopra. Tudo é teu lugar.
Sopra vento, sopra como nunca sopraste.
Sopra vento, sopra como nunca sopraste.
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