Uma página em branco com tanto por se preencher.
“Com o quê?” – questiono-me. Que pergunta inquietante essa acerca daquilo que será a nossa partilha com o pedaço de papel que se encontra pousado sobre a mesa que roça na minha camisola branca e que se confunde com a minha folha. Permanece quieta, mas parece que me olha de uma forma maldosa com a qual me intimido e tenho medo de arriscar qualquer rabisco pois não pode ser em vão, tem que ser perfeito. Vendo-me imperfeita desencorajo-me. A cobardia sobe-me à cabeça, a minha mão trémula afasta-se devagar e eis que o pincel cai sobre a mesa.
Em simultâneo com o meu acto, a página cã pergunta-me num tom ríspido e brusco:
- “De que foges tu? Daquilo que sou e no que me tornas ou daquilo que temes de ti conhecer? Explora-te. Não sejas pusilânime, fraca, indecisa.”
Não lhe respondo. As suas palavras sábias são cruéis e tão irritantemente acertadas. Quando o medo se instala em nós difícil é de aceitar a Verdade.
Quero conhecer-me, mas receio-me. Receio aquilo que poderei conhecer, mesmo o não sabendo de antemão.
O arriscar parece arrojado. Prefiro esperar. Tudo isto digo para mim mesma, enquanto o solitário papel aguarda a minha decisão impávido e sereno, como que com uma calma olímpica venerável.
De súbito, move-se. O vento frio que se esgueirou malandro da janela mal fechada do meu quarto, fê-lo trocar de posição e este nada pôde fazer a seu favor.
A minha imaginação fértil invadiu-me de boas ideias e incentivou-me a pegar de novo no pincel ofendido. Nervosa, mas confiante, agarrei no meu utensílio, mergulhei-o numa tinta alegre e deixei-o exprimir aquilo que eu, por meio de uma verbalização sensabor, não conseguia.
“Com o quê?” – questiono-me. Que pergunta inquietante essa acerca daquilo que será a nossa partilha com o pedaço de papel que se encontra pousado sobre a mesa que roça na minha camisola branca e que se confunde com a minha folha. Permanece quieta, mas parece que me olha de uma forma maldosa com a qual me intimido e tenho medo de arriscar qualquer rabisco pois não pode ser em vão, tem que ser perfeito. Vendo-me imperfeita desencorajo-me. A cobardia sobe-me à cabeça, a minha mão trémula afasta-se devagar e eis que o pincel cai sobre a mesa.
Em simultâneo com o meu acto, a página cã pergunta-me num tom ríspido e brusco:
- “De que foges tu? Daquilo que sou e no que me tornas ou daquilo que temes de ti conhecer? Explora-te. Não sejas pusilânime, fraca, indecisa.”
Não lhe respondo. As suas palavras sábias são cruéis e tão irritantemente acertadas. Quando o medo se instala em nós difícil é de aceitar a Verdade.
Quero conhecer-me, mas receio-me. Receio aquilo que poderei conhecer, mesmo o não sabendo de antemão.
O arriscar parece arrojado. Prefiro esperar. Tudo isto digo para mim mesma, enquanto o solitário papel aguarda a minha decisão impávido e sereno, como que com uma calma olímpica venerável.
De súbito, move-se. O vento frio que se esgueirou malandro da janela mal fechada do meu quarto, fê-lo trocar de posição e este nada pôde fazer a seu favor.
A minha imaginação fértil invadiu-me de boas ideias e incentivou-me a pegar de novo no pincel ofendido. Nervosa, mas confiante, agarrei no meu utensílio, mergulhei-o numa tinta alegre e deixei-o exprimir aquilo que eu, por meio de uma verbalização sensabor, não conseguia.
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