terça-feira, 16 de setembro de 2008

Apresenta-te


Parece que foi ontem que acordei e me deparei com a vida. Sem nada me dizer, foi-se-me apresentando tal como queria e podia. E eu, encarecida com tal apressada chegada, deixei-a assentar neste beco de rua.
Poderia qualquer um reclamar que não passa de um grande exagero quando alego que nunca me tinha dado conta do quão arrebatadora e destruidora ela é, mesmo quando se aproxima de mansinho.
Queria eu crer em tal impossibilidade como essa! Logo agora, em que cada dia, experiêncio algo de novo, que não pensava superar. Superei-me. Sim, talvez. Ou talvez fosse apenas uma força interior mais profunda que ainda não tinha tido oportunidade de se revelar.
Penso que todos a temos. Temos é que a saber utilizar.
A verdade é que não sei bem se estou realmente a fazê-lo, visto que olho em volta e não tenho em quem acreditar. Nem em Deus. Talvez na Natureza e na sua força imensa e muito superior à do Homem, por muito que este não o queira admitir.
O acreditar em algo ou em alguém tornou-se um caminho traidor e perigoso, onde o sigilo nunca teve lugar afinal.
Se acreditasse em Deus, acreditaria também que existem algumas forças malignas e creria que a vida tem uma ligação muito próxima e semelhante com a morte. Ambas chegam sem qualquer tipo de aviso, e fazem de nós o que querem. Idiotas são aqueles que defendem que não é o Homem o principal culpado da sua própria extinção, mas as tais forças malignas ou as suas más acções foram o que o condenaram. Para além de que, muitos vivem uma vida repleta de limitações devido a essas crenças.
Nada tenho contra essas pessoas. Aliás, sempre é melhor acreditar em algo do que em nada. Porque isso dá-nos alento para viver. Embora não faça muito sentido, a meu ver.
Uma vez ouvi um conhecido dizer que o avanço científico e tecnológico era algo bastante negativo porque faz com que as pessoas deixem cada vez mais de crer num Deus Todo-Poderoso. Ou seja, estamos então a encarar o conhecimento como algo que não devia ser adquirido para que possamos fechar os olhos à Verdade. Parece que o que é certo é ser-se ignorante. Porque em contrapartida acreditamos num Deus omnisciente e omnipotente que nos ampara todas as quedas de acordo com as "regras" pré-estabelecidadas que alguém iluminado fez. Quem não se reger pelas mesmas terá uma punição. Penso que isto funciona mais ou menos como uma espécie de prisão espiritual.
Quero com tudo isto dizer, que sou panteísta exclusivamente. E nada mais.
Quanto à questão da confiança que já referi inicialmente, tenho a dizer que se calhar nem em mim confio. Talvez por não saber as voltas que a vida dá enquanto se acomoda no meu sofá novo da sala. Não sei. Tenho tido uma atitude céptica em relação a isto, mas espero francamente superá-la, talvez com a tal força intrínseca que sei que em mim existe e da qual talvez esteja a usufruir de momento.
Porque no meio da multidão apressada, procuro um lugar para mim.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

“Felling Empty”


Puxaram a corda que me segurava e, deixaram-me caída num chão longínquo que não conheço.
Fui tudo sou nada.
Quero chorar e confessar-me, quero ser ouvida pelas vozes que só na minha mente guardo.
Oiço o barulho ensurdecedor que as gotas de chuva produzem quando entram em contacto com o mesmo chão onde me vejo sentada. Sozinha no silêncio, falo e só a mim me oiço.
Oiço o meu nome na chuva e não lhe respondo.
Perdi a minha identidade pois perdi o meu rumo e, até, o caminho de casa. Não quero regressar, nem sei já fazê-lo, nem sequer as minhas pessoas de outrora querem que o faça.
Estou sozinha e presa à minha infelicidade.
– Que se me mostre uma luz! – Grito.
A minha voz ecoa entretida por entre as paredes caiadas que me cercam. Tudo permanece indiferente como dantes.
A chuva teima em não parar nem me alegrar ou tentar. E, por isso, alheia à minha dor, continua a cair e a fazer propositadamente um ruído cada vez maior, só para acentuar o silêncio.
Não choro. Não tenho forças nem nada mais para chorar. Não quero dar parte fraca e sofredora a esse mundo que jamais me pertencera.
Tento levantar-me, mas caio logo de seguida, como se tivesse sido puxada pelo chão para ele. Deito-me e fecho os olhos. Tento dormir e não pensar. Mas sonho acordada e, por muito que me tente desfazer do sonho, ele persegue-me e magoa-me mais, por me fazer relembrar o quão só estou.
Crio monólogos, mas logo me farto.
De repente, levanto-me e começo a fazer barulho. Bato palmas, falo alto, tento ser mais que a chuva maldita e nem isso consigo!
Sinto-me frustrada e frustradamente sozinha!
Sento-me de novo e rendo-me ao meu nobre silêncio, enquanto faço a chuva sentir-se vitoriosa e apoderar-se de tudo o que de mim resta.
Ao menos ela tem a decência de se incomodar com a minha presença e existência.


Falem


Falem.
Falem coisas boas ou más, mas falem.
Falem de mim que eu falarei de vós.
Desabafem toda a vossa angústia em cochichos que não vos levarão a lugar algum senão a um breve esquecimento da vossa triste vida.
Por isso, avante com todos os apologistas da arte de bem coscuvilhar, enquanto me tento abstrair de tudo isso e, resguardar-me dos vossos sorrisos insinceros.
Falem à vossa mercê, que eu falarei também.
Palavras vossas ditas e malditas que uma só vez me ferem. Daqueles que nada a mim me são. Ou até mesmo daqueles que comigo estão. Serão flechas com pontas aguçadas que não encontrarão mais o seu alvo para abater. Percorrerão mundos sem fim até caírem, finalmente, no esquecimento.
Perante isto, falo. Falo da minha indiferença aos vossos verbos em orações já sem sentido, às vossas construções frásicas sem ponta por onde se lhes pegue.
Sinto-me bem. Não feliz, bem.
Sou conhecida e descrita por variadas bocas, bem ou mal… não interessa. Sou-o ponto.
Ao menos sei para que olhos olho apenas e não vejo. Ao menos vou acrescentando à minha lista de desilusões os defensores da mentira, aqueles que sem ela não são capazes de viver.
Gente sem objectivos de vida, movidos por interesse. Mais tarde ou mais cedo, caçam-nos. ”A Mentira dá a volta ao mundo sem que a Verdade tenha tempo de se vestir”, mas a mentira acaba sempre por se voltar contra o mentiroso, e é nessa altura que ele pede ajuda ao mundo que lhe vira agora as costas.
Por tudo isto, minha gente, falem!
Falem coisas boas ou más, mas falem!
Falem de mim que eu falarei de vós!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Não durmo à noite




Não durmo à noite.
E cada vez que olho para aquele céu distante e tão estrelado, esqueço-me de mim e talvez nessa imensidão tente afogar as saudades que tenho de ti.
Por cada vez que escrevo tão decidida, já não sei que decisão tomei...
Não sei quem sou, não sei nem de mim nem de ninguém.
Perguntei àquela estrela, àquele cometa, àquele ponto luminoso que me prendia o olhar, por mim e por ti.
Mas não obtive resposta. Ainda assim, todas as noites que não durmo, sento-me no parapeito da janela a observá-la.
Todas as noites lhe faço a mesma pergunta e todas as noites espero pela aquela resposta um tanto ou quanto messiânica.
Eu queria poder fechar os olhos e ter um sono descansada como há já algum tempo anseio, mas não consigo deixar de pensar.
Queria tanto saber se tomo ou não as decisões correctas...
Queria só desta vez fazer aquilo que está certo e conseguir.
O não fracassar que tantas vezes deixo esgueirar-se...
Talvez aquela estrela, que todas as noites me tem feito companhia, esteja ali para algo mais que isso, talvez ela acredite em mim, talvez ela acredite que consigo libertar-me dos meus medos.
Já tive tantas provas de que tudo tem o seu fim.
E o adiar o fim só torna esse tempo infernal, indesejável e, até insuportável como tem acontecido.
Não me quero sentir culpada se acho que não tenho culpa e se não me quero mudar porque se me mudasse teria de me refazer completamente.
Se estes comportamentos são tipicamente meus, quem os não aceita, não me aceita.
Mudar-me? Mudar o meu nome?
Não! Não o faço por ninguém!
Posso andar sozinha, mas como bem manda um velho provérbio “mais vale sozinha, que mal acompanhada”…
Nunca gostei de mentiras, gostei sim de apanhar mentirosos.
Não preciso que me mintam nem que me façam favores de companhia.
Talvez todo este tempo por ti me tenha afastado dos outros…
Um erro sem dúvida que, pelo o facto de ouvir mais o coração que pensar com os pés assentes na terra, me tenha deixado levar por sentimentos que infantilmente julguei eternos.
E agora que me tento libertar de toda esta confusão em que eu mesma me inseri, não sou capaz, porque sinto!
Porque eu sinto!

E tu, depois de me fazeres, pela primeira vez, ter sentido tudo isto, alguma vez por mim o mesmo sentiste?

domingo, 13 de julho de 2008

Perdoei


Dizem ‘que errar é humano e perdoar é divino’
E então perdoei. Nem sei explicar como, nem sei explicar bem o porquê, sei apenas dizer que não queria abandonar toda a felicidade que eu até aí tinha construído com aquela pessoa…
Não conseguia! Não conseguia sentir despreocupação da outra parte, como se amor, se o houve, foi efémero… Ainda assim, por mais estúpido que seja, não consegui dizer não ao querer talvez não tão supremo como quis do sim.
Queria eu mandar no coração, como antes tantas vezes o fazia.
Mas não… tinhas de me mudar! Tinhas de fazer de mim tua eterna súbdita, aquela que vai querer sempre lutar por ti!
Não me arrependo da minha escolha. Contudo, penso e sei, no fundo, que não foi nem de perto nem de longe, a mais acertada.
Depois de todos os dar a mão, depois de todas as palavras sentidas e tuas um tanto não sentidas, depois de saber o que quero de ti e o que quero que para mim sejas, não esperava uma desilusão destas. Porque de ti, principalmente de ti, não a esperava…
Agora de que vale iludir-me e dizer que tudo ficará como dantes, se sei que nunca ficará.
Sei que a confiança uma vez perdida, é quase impossível de ser recuperada na sua totalidade… E não creio, que vá ser excepção comigo.
Mas continuo a ter uma força interior qualquer, irritante e frustrante que não me deixa desistir!
Chama-lhe amor, chama-lhe paixão, chama-lhe o que quiseres... para mim não passa de um sentimento intrínseco, intenso e incomensurável ao qual tu não deste o devido valor.
E que eu, por muito que me esforce, não o consigo não sentir.

sábado, 12 de julho de 2008

Nem menina de ouro nem chão de ninguém


Vasculhei nas ideias, possíveis respostas e arrisquei sem medo de perder.
Deitei a cabeça no mundo das aparências e delas e nelas me transformei.
Usei-as como disfarce, como o meu disfarce, para conseguir aquela resposta que já há tanto procurava, para ter finalmente quase todas as peças deste puzzle, para que o possa, finalmente, completar.
Felizmente acordei, sai da minha caverna, e deixei crescer aquele projecto que tinha de, mais tarde ou mais cedo, ser posto em prática.
Confesso que foi e está a ser difícil ser eu e encontrar-me no meio de tanta ilusão.
Mas tenho força e convicção e sei que sou capaz de também ser bastante utilitarista e pragmática. Assim sendo, é isso que me dá alento para continuar esta luta pelos meus valores humanos, para me salvar da(s) mentira(s), que é(são) na minha opinião, uma das arma mais perigosas do Homem.
Sei tanto mergulhar como erguer a cabeça e ter consciência de mim.
Deixarei de permitir que o epíteto ignorante me continue a ser atribuído. Em vez disso, atribuir-lho-ei eu a quem dele carece.
Hoje acordei e estou decidida(desiludida).
Hoje lutarei por mim e só descansarei quando me vir concretizada e em paz de espírito.
Quero sorrir como dantes e lembrar os velhos tempos como uma boa recordação.
Boas memórias em vão, mas todas elas boas, todas elas cobertas de esperança e os olhos verdes que o meu coração guiou durante todo este tempo.
Contudo, guiou demasiado, e não permitirei que mo faça mais.
Agirei com a capacidade de pensar que tenho, porque assim teve que ser.
Não sou menina de ouro, mas também não sou chão de ninguém.

Eu não queria… nunca quis… Mas tu assim o escolheste…

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Dualidade constrangedora


Dei o dito por não dito e deitei os olhos ao mar...
Ao mar de incertezas fiéis, as quais nunca deixarei escapar.
Procurei nas suas profundezas respostas... respostas para perguntas imperfeitas, que nunca deveriam ter sido feitas.
Quanto mais procurei mais me ilucidei ou iludi.
Quanto mais mergulhei mais me perdi e esqueci.
Quanto mais quis menos encontrei.
Só queria ter certezas...
Aquelas a quem dei liberdade.
Aquelas que, de aparente (in)felicidade, se foram com o tempo desvanecendo...
E pensar que elas já foram uma constante na minha vida e que agora são tão inconstantes.
Pensar que cega fui, ou que cega estou a ser se na verdade, a Verdade se esconde de mim para eu encontrar as minhas respostas por mim, e não com algo que as comprove.
Sinto-me perdida numa confusão onde até este mar se perde, se afoga na sua própria mágoa e rancor, onde procura apenas descansar a sua dor interior e, em vez disso, cada vez mais se transforma, me transforma, e me faz ruir.
Não sei de mim.
Ruí.