domingo, 18 de janeiro de 2009

Onda


A vida embala-me na minha onda. Enrola-me e dou-me já por vencida. Rendida àquele mar salgado que de mim cuida.
Esqueço-me, perco-me, sinto-me deleitada ao sentir aquele mar gelado refrescar-me ainda mais o corpo.
Entrego-me sem pedir que me detenha medos. Molha-me a mão mais uma vez. Por mais fria que esteja, é tudo o que me menos importa.
E os lábios acompanham-me a temperatura do corpo, mas são eles parte do nada que me impedirá de nadar em simbiose com a minha onda.
Minha guardiã. Minha sósia.
Minha tudo.
Minha ignorância, meu medo, meu terror, meu segredo, minha paixão arrebatadora, meu céu, minha terra, meu mar, minha sabedora, meu ego.
Diz-me o que quero ouvir, diz-me quem sou. É bom saber que me deste respotas.
Roubas-me sentimentimentos infames e ingénuos.
Guardo-os bem. São teus. Pertencem-te.
Deixa-me ser teu complemento e provar do teu sal. Enrola-me que eu entrego-me a ti e dou-me por vencida. Rendida aos teus terrenos vizinhos do mar.

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