sábado, 28 de março de 2009

Introspecção


Respira do ar que respiro (inspiro),
Das tristes ausências passadas
E partilha-te da minha alacridade.
Aquando ao mar antigas lembranças são lançadas
E mergulhadas
E, profundamente, esquecidas.

Mas que leveza esta que tanto invejei
Da qual usufruo de momento.
Talvez somente em pensamento, não sei,
Talvez somente invento
O que outrora deixei de parte.

Engrandeci-me num simples gesto,
Ou terei sido apenas uma fraca chama
Que não progride nem reclama,
Que não sabe, sequer, como se ama
E que vagueia pelo mundo triste.

É a isto que se assiste.
A ser o que não devia,
A fazer parte de uma fantasia
Que sozinha caminha e me engana,
No meio desta imensidão que se diz mundana.

A tua inteligibilidade não é, contudo, afectuosa,
Se for assim tão difícil a penetração na tua essência.
Poderias fazer-me sentir que te importa a minha ausência
Para sentir-me em menor decadência
E poder dizer que sei de mim…





P.S.: Imagem captada por mim.

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