domingo, 5 de julho de 2009

Encomenda


Não importa a intemporalidade ou a brevidade da vida, se é ela quem demanda e controla todos os passos. Não a podemos enganar porque ela conhece-nos melhor que nós mesmos. Os traços da nossa mão que nos distinguem são-lhe tão coesos e perceptíveis.
Não adianta iludir-nos em felicidades precárias, onde o erro persiste não só pela ilusão que aqui está subjacente, como também por o termo felicidade não poder ser usado desta forma. Pois a mesma, existe exigindo apenas que a sua inicial seja uma maiúscula para reservar e resguardar todos os seus direitos, bem como a sua importância.
É tantas vezes mal interpretada e incorrectamente falada apenas porque gostamos de nos enevoar a nós mesmos só para apaziguar a nossa dolência inevitável. Sabemo-lo bem e, talvez por isso mesmo, recorremos a tantos meios só para nos fazer esquecer, ainda que por momentos, tenham o tamanho que tiverem, são falaciosos, são obscuros, mas procuramo-los só para nos fazer sorrir.
Não sei se é ridículo fazê-lo ou não, se o sorriso é também ele precário e desvanece tão facilmente, não se importando com quem nos fez sorrir nem quando o fez.
Não quero que me abandones. Escrevo e de nada me serve. Estás sozinho, com a tua carapaça mais forte que tantos invejam. É tão bonita, ainda mais bonito é tudo aquilo que construíste. Quem me dera ser como tu, corresponder a todos os teus sonhos, ser tão grande como me imaginas e fazer com que te orgulhes de mim.
Não me deixes. Não me deixes neste mundo corrupto e escuro. Já não distingo a noite do dia e tu sempre me aclaraste tão bem as ideias.
Sei que tens medo. Tens de ter, todos temos. Tu és tão forte que nem a mim mo demonstras.
Não acredito. Não acredito que dele não careças. Deixa-me ser como tu. Deixa-me ficar livre de dogmas e procurar sempre a verdade por mim, moldar-me de palavras que ninguém ama por serem banais. Mas a sua banalidade não lhes rouba o seu valor nem o seu sentido.
São puras, são virgens, são minhas e tuas.
Vou-te ver. Vou-te ver sorrir e vou retribuir esse sorriso. Sabes que o devo muito à tua bela pessoa.
Não vou chorar, ainda que me desfaça de momento. Espero ver-te, olhar para ti, encorajar-te e pensar que vais lá estar sempre. Porque vais e não me digas que não porque não te deixo!
Sou parva, sou. Bate no ceguinho e diz-me que não passo de uma grande encomenda. Sou-o com o maior orgulho que uma neta pode ter no seu Avô. Sim, levas a maiúscula porque ela tem muito valor e tu tens ainda mais.
Não me posso expressar em palavras nem definir-te com as mesmas, porque elas não chegam e limitam-me. Os meus sentimentos por ti são infindos e do fundo de mim te digo que és a melhor pessoa que já conheci.
Fica comigo.


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