quarta-feira, 29 de julho de 2009

Flor


Uma flor. Daria tudo para ser uma flor tão bela e atractiva que tu sentirias uma vontade incontrolável de a colher. Exalaria um perfume igual a nenhum outro, tão ímpar que em ti permaneceria uma curiosidade insaciável e um querer conhecer que não conheceria, porém, descanso. Seria da cor que tu mais gostasses. Seria do teu agrado e seria feliz por me quereres, por ansiares que o tempo fosse eterno no momento da tua gnose. Queria ser uma flor, mas não sou. Não sei o que sou realmente. Sei que tenho de parar de me ser para não apaziguar o choro que guardo cá dentro. Sei dar tanto de mim sem nada receber que me torno num barco sem rumo, cansado já de tanto remar. Para onde? Para o Nada que o leva, pois não adianta quanto mais seja o seu esforço, permanecerá precisamente no mesmo lugar. E pior, sozinho. Não sei por que é que aqui continuo… Diz-me! Também não o sabes. Sou tão não visível. Quem me dera ser também não sensível para não sofrer. Esgotam-me as palavras, os olhares, os carinhos e as afecções. Pisam-me. Porque não me vêem porque tudo aquilo que faço para nada serve. É lixo. É Nada. Matem-me. Porque daqui só vive ainda o físico. Este mundo é demasiado esmagador para mim. Não quero ver pessoas, não quero ver ninguém. Quero que me deixem ser sozinha no meu recanto. E se isso não puder ser, então não me deixem viver.

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