sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Loucura


“Bato a porta de vagar, olho só mais uma vez, como é tão bonita esta avenida.”
Talvez esteja a exagerar e, por isso mesmo, seja menos querida, talvez queira ser tão bonita quanto é esta avenida.

Não sei. Talvez. Atacou-me o cepticismo profundo. Não consigo sair daqui. Quero, mas não consigo não pensar em ti.
Quero não pensar, mas não consigo. Quero não sentir, mas não consigo.
Distracções já não elevam pensamentos e os pensamentos fazem força para permanecer exactamente onde os não queria.

Quero pensar menos em ti, mas não consigo. Não percebo… por quê?
Se tu consegues deveria ser fácil e simples! Deveria conseguir não sentir saudade.

Porque eu sinto SAUDADE!
E tu não, ou pelo menos consegues moderá-la, desviar-te dela, não pensar em mim. Já eu, que tanto o pretendo, não consigo.
Quantas mais noites em claro tenho que passar para desistires de invadir os meus sonhos e impedires-me percorrer as minhas próprias loucuras neles, onde posso realmente ser quem eu quiser.
Por que é que tens que dominar todos eles? Já não chega o tempo que passas na minha cabeça quando estou acordada?
Será pela quantidade de dias, de horas?
Eu conto o tempo para te ver, para te falar…

Estarei louca? Devo estar.
Se te contasse provavelmente sentir-te-ias grande, mas sentir-te-ias na obrigação de te afastar.
Sim, eu psico-analiso tudo. Não sei se existe, mas não importa. Talvez te afaste desta minha entediosa maneira, mas não o consigo evitar.
Se não pensas tanto em mim, então deixa-me também não pensar em ti também.
A mim parece-me justo.

Isto corrói-me por dentro. Devo ser louca. Só posso estar louca.
Por favor, diz-me que isto é só loucura.


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