domingo, 27 de setembro de 2009

Encostada


Mergulho nos meus medos, confiante de que todos se evadem num borbulhar inoportuno.
Os meus pensares emergem e quase que se encontram prontos a dispersar. Ergo, vazia e leve, a cabeça, abro os olhos com o coração esperançado e… ainda ali estou, precisamente no mesmo sítio, rodeada pelos mesmos objectos inanimados, exactamente com os mesmos problemas. Parece que o sonhar nada muda, o mergulhar nada esquece, atenua apenas a incontrolável vontade de me ser tão longe daqui.
Sinto-me cansada. De mim tudo levam e para mim, nada meu me resta.
Estou só e malamada. Parece que afinal até me serve este epíteto. Se calhar estavam todos correctos e eu errada. O melhor é mesmo prosseguir as minhas passadas sozinha.
Agora que vou reconstruir um dos meus sonhos, posso dançar nas minhas angústias e esquecer por momentos tudo e todos que me ferem.
Ninguém aceita nem gosta, mas eu sei que vou ser tão eu ali.
E aquele chão meu ninguém o pode tirar.
Só por cima do meu cadáver mo poderão negar.
Não abras os olhos enquanto o tempo urge e vê-me, então, depois a sair por aquela porta que jamais atrás volta.
Ela já está encostada, eu luto, mas parece que já sabe o que me espera.


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