É madrugada. As horas teimam em não passar. Quando mais pensar não quero, não consigo não mais o fazer.
Estou cheia de Silêncio.
Não tenho palavras, nem sons, nem gestos, nem expressões. Estou presa, algemada pelo Silêncio.
Quero vestir uma roupa limpa que não conheço.
Ainda é madrugada e não há João Pestana que me faça adormecer.
Oiço-o, pé ante pé. O som torna-se cada vez mais intenso, cada vez mais audível. Fecho os olhos, procuro não pensar. Qualquer coisa… Qualquer coisa! Nada me vem à cabeça. Porque é que não me vem nada?! O coração bate louco e veloz, sinto vontade de segurar o peito para que este de lá não salte. Grito no silêncio, corro no silêncio, mas as portas fecham-se todas perante mim, abafando indignamente qualquer tentativa de som!
Entra. Tem um caminhar determinado, omnipotente, egocêntrico, de quem sabe o que me espera. Cobre-se-lhe o rosto um sorriso malévolo. Balbuceia coisas várias que faço já por não ouvir.
Fecho os olhos, não quero ver. Quero fingir que não estou, que não sou.
Sinto a pouca roupa, que me adoça o corpo marcado, a afastar-se violentamente do (m)seu leito.
Não é delicadeza, mas antes uma densa forma de brutidade e agonia simultâneos.
Não sei já o que me dói. Se o hirto cinto de ontem, se estes movimentos incessantes e contínuos do coito… Dói-me o medo. A prisão das palavras que sufocam por não saírem.
Tem uma força sobrenatural e rude, áspera. Não se cansa nem pára.
Aproveita-se da minha leveza e imaturidade e vira-me de modo animalesco, selvagem. Permaneço de costas. Muda a sua meta e escorrem-se-me agora lágrimas.
Não emito qualquer som. Fito o relógio. Os tic tac’s são demorados e asfixiam-me, morro demoradamente em cada um. O tempo não passa.
Ele satisfaz-se e eu acobardo-me.
Como queria que chegasse Segunda-feira…
Estou cheia de Silêncio.
Não tenho palavras, nem sons, nem gestos, nem expressões. Estou presa, algemada pelo Silêncio.
Quero vestir uma roupa limpa que não conheço.
Ainda é madrugada e não há João Pestana que me faça adormecer.
Oiço-o, pé ante pé. O som torna-se cada vez mais intenso, cada vez mais audível. Fecho os olhos, procuro não pensar. Qualquer coisa… Qualquer coisa! Nada me vem à cabeça. Porque é que não me vem nada?! O coração bate louco e veloz, sinto vontade de segurar o peito para que este de lá não salte. Grito no silêncio, corro no silêncio, mas as portas fecham-se todas perante mim, abafando indignamente qualquer tentativa de som!
Entra. Tem um caminhar determinado, omnipotente, egocêntrico, de quem sabe o que me espera. Cobre-se-lhe o rosto um sorriso malévolo. Balbuceia coisas várias que faço já por não ouvir.
Fecho os olhos, não quero ver. Quero fingir que não estou, que não sou.
Sinto a pouca roupa, que me adoça o corpo marcado, a afastar-se violentamente do (m)seu leito.
Não é delicadeza, mas antes uma densa forma de brutidade e agonia simultâneos.
Não sei já o que me dói. Se o hirto cinto de ontem, se estes movimentos incessantes e contínuos do coito… Dói-me o medo. A prisão das palavras que sufocam por não saírem.
Tem uma força sobrenatural e rude, áspera. Não se cansa nem pára.
Aproveita-se da minha leveza e imaturidade e vira-me de modo animalesco, selvagem. Permaneço de costas. Muda a sua meta e escorrem-se-me agora lágrimas.
Não emito qualquer som. Fito o relógio. Os tic tac’s são demorados e asfixiam-me, morro demoradamente em cada um. O tempo não passa.
Ele satisfaz-se e eu acobardo-me.
Como queria que chegasse Segunda-feira…
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