terça-feira, 20 de maio de 2008

Se alguém perguntar por mim, digam que virei costas ao mundo


Por tantas vezes que me quis expressar e conter para não chorar.
Por tantas vezes que julguei ter forte tudo que há em mim.
Por tantas vezes me enganei.
Foram vezes sem conta que eu agi irracional, absoluta e unicamente com os sentidos, deixando-os controlarem-me todos os meus gestos soltos e, diria até, sem sentido.
Pensamentos que foram, irreversivelmente, dominados por sensações que continuo a ter presentes e que me deixam contrita por dizer o que não era.
Sinto nostalgia até do simples agarrar da tua mão quente na minha mão gélida, que se tentava esconder do frio do mundo no teu calor interior.
Por tantas vez que sonhei e me iludi!
Por tantas vezes que sofri e nunca, mas nunca aprendi, a não cometer o erro de amar!
Talvez mereça todos os lugares, menos este!
E que a mais alta penitência me fosse a mim concedida, por ser tão consumidora de pecados para mim mesma!
Por tantas vezes quis matar a minha essência e ela me impediu!
Por tantas vezes que fugi de mim!
Por tantas mentiras não sentidas, por tantas palavras sinceras escondidas, por tanta coisa que não disse e que nem vou falar!
Por cada batimento do coração que já se cansa de o fazer...
Por cada segundo que, sem me aperceber, passa...
Por cada derramar de seiva minha que outros se vão alimentando e crescendo e sabendo e aprendendo a magoar, a desiludir, a matar emoções intrínsecas e genuínas, com corações feitos em pedra!
Por tantas vezes que olhei os teus olhos e me vi feliz.
Por tantas vezes que te desejei… antes tivessem essas vontades cessado de vez! E talvez assim, tudo se tornasse clarividente!
Só queria falar e por tantas vezes ser ouvida e compreendida.
Só queria que, desta vez, as saudades de te ver te fizessem abrir os olhos e não que te transformassem num ser insensível que vive, ainda, da sede da minha dor.
Há uns sonham com cavalos de madeira, fortes como o de Tróia, eu sonho em um dia fazer parte da tua vida, parte de ti.
E este é o meu grande sonho utópico.



quinta-feira, 15 de maio de 2008

Luto


Vesti luto.
O negro que há tanto tempo me apaziguava de tão tenebroso que era, assenta-me agora que nem uma luva. As coisas que me eram tão próximas são-me agora tão distantes.
Estou de luto.
Estou de luto para com a vida que se esqueceu de mim, e já nem forças tenho para não fraquejar.
Sinto-me fraca, estou fraca e sei que fui forte.
Sinto agora a chuva a bater-se-me no rosto e a confundir-se com a lágrima que estimula este meu estado espírito. Sonho com um vencer que é tanto ou ainda menos possível que o alcançar do horizonte. Desiludo-me, fico incapacitada de compreender, de ouvir, de falar, de reagir… E refugio-me no negro da alma.
Que importa quanta gente me rodeia se sinto que a mim ninguém vê, nem sente ou ouve?
Que importa falar se me cozeram a boca com pedaços de linha incolor encontrados nos confins do submundo?
De que me serve uma nova atitude, se sei que não a terei e que serei só eu em pensamento?
De que me serve lutar pela alma que já perdi, quando não sei onde ela pára, nem por onde deambula, nem sei já mais quem ela é ou foi?
Deixei-me seduzir por uma felicidade aparente e esqueci-me do sentido da vida.
Parece que ainda a sinto a escorregar-me das mãos, como se líquida fosse para que, sendo algo não palpável, nunca a pudesse agarrar.
Tentei substituir o mal por bem quando o bem era o mal e o mal o bem.
Desisti.
Contudo esta desistência não é para abdicar da vida, mas apenas para não viver com ela, mas sim lado a lado com ela, para que se não misturem.
E para nos distinguirmos eu visto luto. E assim será até eu aguardar julgamento no purgatório…


SAVE FROM THE NOTHING I’VE BECOME
BRING ME TO LIFE!

E pensar que a vida já foi tão cor-de-rosa na idade da pura inocência por não ver para além das máscaras, por não julgar ainda atitudes, por não ter ainda uma opinião sólida, concisa e determinada acerca das coisas, acerca da vida.
E, por isso, a realidade nua e crua veste um disfarce que na verdade não lhe serve, mas que nas mentalidades insípidas não há nada que lhe assente melhor.
E quando a fruta do pecado amadurece e está preparada para a qualquer momento ser colhida e comida por um pecador, é que desce dos céus do imaginário e enfrenta o único mundo existente na realidade. Mundo esse que está sempre preparado a atacar e à vanguarda, o mundo terreno.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sentimento que mendiga não na rua, mas em qualquer lugar


Queria olhar para o céu e acreditar que aquela estrela bem distante e brilhante olhava por mim. Perdi-me no seu encanto e iludi-me.
Mais uma vez não me sinto. Não me sinto, porque não me sinto completa, com quem me completa.
A luz dessa estrela que em mim reflectia o seu brilho, apagou-se. E a minha noite cerrada ficou ainda mais escura. Não vejo qualquer tipo de brilho… nem sequer uma pequena nesga de luz. Não distingo nada, choco constantemente, procuro a lucidez com os olhos cegos pela escuridão.
Não sei de nada, nem sequer o que procuro.
Sinto.
Sinto falta.
Sinto a falta de Alguém, de dias, de tempos, de palavras, de sentir Alguém.
Mas não me sinto.
E é esta a realidade tenebrosa que a minha mente me dá a conhecer, um mundo às escuras, em que a esperança se algum dia aqui morou, fez as malas e partiu para…
Não sei para onde… Nem sei se alguma vez ela realmente cá esteve comigo, ou se não passou tudo de uma mera ilusão.
Quero deixar a lágrima maldita pisar-me o rosto. Senti-la com toda a minha dor interior que ela consigo carrega e leva até isso tudo e ela se desfazerem.
Os meus olhos castanhos ganham uma cor esverdeada. E não é esperança que tenho no olhar, mas antes um cansaço... um estar farto de lutar, de chorar, de resistir, de superar.
Então, rendo-me à minha música nostálgica e melancólica que me faz dispersar deste mundo e me abriga no seu. Onde posso sentir-me compreendida e sentida, onde me liberto e liberto todo o rancor e mágoa que vêm de dentro.
E ela, quase que com uma força sobrenatural, vai-me limpando as lágrimas enquanto escrevo e não escrevo até o choro cessar.
Sinto um vazio esquerdino no peito.
Tenho um vazio esquerdino no peito.
Queria antes não sentir para não sofrer.




P.S.:
Sabes o que eu queria?
Queria poder encostar a minha cabeça sobre o teu ombro e, feliz, poder descansar por saber que amanhã tudo continuaria como no Primeiro Dia.



domingo, 20 de abril de 2008

O Grito



Coração inocente que bate forte, quando alguém algum motivo para isso lhe dá. Inconsciente das consequências, mas bem ciente daquilo que sente, segue em frente e não olha para trás.
Vive em tempos quentes, grandes paixões, emoções tão entusiasmantes, que nunca antes procurou tê-las, nem da sua existência sabia e nem nelas acreditava.
Loucura e devaneios, se assim se lhe pode chamar.
Vive-os numa despreocupação que só com o Presente se preocupa, com o momentâneo.
Todavia, não é do momentâneo que vive. Este coração que se alimenta de sentimentos e intrínsecos, procura somente a essência mais profunda de um só ser.
Desvendar todos os seus mistérios, medos e tormentos, bem como, todas as alegrias e risos escondidos no passado.
O céu azul, sem nuvens ou coberto de nuvens esbranquiçadas é agora o céu cinzento, coberto com nuvens de cor igual, que podem ou não chorar pelos pecados humanos. De alegria e em harmonia com a desgraça do mundo é que não choram certamente.
E com elas choram incertezas e certezas. Tristezas e alegrias. Maus e bons momentos. Sonhos e fantasias que criam um nevoeiro na nossa realidade, impedindo-nos de a poder ver, fazendo-nos apenas olhar.
Coração que enfrenta maus tempos e que se sente só e sofredor da sua própria angústia, não está só realmente. Apenas não o sabe ele disso.
A neblina quase que lhe cega os olhos, e o frio, esse não deixa as suas palavras soarem livremente.
A liberdade condena-se e condena-o.
Sente-se amordaçado e cego. E, por isso, não fala e não vê se está correcto o facto de não falar por não conseguir, ou se deveria pelo menos tentar exprimir-se, ainda que apenas o fizesse quase como que em onomatopeias.
É certo que coração dilacerado não sente o tempo frio igual ao que sentiu em tempo quente. Coração que se diz magoado, não esquece quem magoa nem o que o magoou.
E se o que em tempos viveu, o fez esquecer o seu sentido e agir um pouco pela excitação do momento que pensou e quis eterno, quase que implora agora por esses tempos passados. Não por sentimentos passados, mas por cuidados, carinhos, palavras, expressões, gestos, carícias e tudo o que a isto está relacionado, passados.
Coração que prevê e premedita o fim. Que por vezes chora e que por vezes tanto lhe apetece chorar como desabafo e as lágrimas fazem por não sair, enquanto as palavras ferem como nunca antes feriram. Parecem mais aguçadas que as próprias espadas, ou se calhar está o nosso coração demasiado magoado e sensível. Ou estará apenas escondido num egoísmo e individualismo que não os reconhece como seus. Ou estará a ser apenas um coração diferente do que aquele que se conheceu em dias de calor.
Agora quer apenas que o deixem ser aquela nuvem negra, inalcançável, que acabará sempre por molhar quem se diz seco ou demasiado molhado com tudo…

É o grito!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Andorra - Pas De La Casa - Viagem de Finalistas



Parti.
Parti para o Longe e pus de parte grandes confusões que em mim não eram esquecidas.
A excitação da chegada a um novo lugar e a da descoberta do mesmo foi tanta que depressa os pensamentos que há tanto me atormentavam ficaram adormecidos.
De lá nada eu conhecia. Tudo era estranho, tudo era estrangeiro. Mas grande parte era português e, de certa forma fez-me sentir em casa. Numa casa minha em que eu não lá morava realmente, mas uma casa.
As temperaturas baixas não me impediram de todo de me libertar de mim.
Vivi, dancei, esquiei e numa semana abstrai-me de tudo.
A sensação única do roçar dos flocos de neve na cara, os nevoeiros intensos, em que nada se via nem ninguém… foi tudo tão intrínseco, tão novo e maravilhoso.
O olhar pela janela embaciada, ver nevar lá fora e sentir-me quente, em casa, e contente com este sentimento de independência.
As conversas ao jantar, os bons e os maus cozinhados…
Os acordares de manhã, os velhos jogos de cartas, os chás da ceia, as danças da meia noite…
O ski… um desporto novo, nunca antes praticado por mim e com ao qual nunca esperei adaptar-me. Contudo, ao fim de 3 dias já se esquiava nas pistas difíceis, em que as sensações são únicas e indescritíveis.
As descidas a pique em que tantas vezes caímos… Descidas em que nos sentíamos a avançar no tempo, em que sentíamos a velocidade do vento a quebrar todos os limites imagináveis num sentimento total de liberdade.
Conceito que era, no entanto, deliberado e não exagerado.
Senti-me eu naquele desafio. Eu face ao desconhecido. Eu face aos obstáculos daquele branco “mundo” novo. E eu a superá-los com garra, empenho, força, e feliz.
Feliz por estar a viver um momento inesquecível o qual torná-lo-ei imortal em mim.
Não esqueci, contudo, o meu país e, sobretudo, os meus problemas. As pessoas que não partilharam do mesmo espírito ou que simplesmente não queriam tentar partilhar ou compreendê-lo, fizeram lembrar-me do meu eu infeliz e submisso.
MAS não me deixei cair por isso… Desta vez escolhi-me a mim. Escolhi-me e não me arrependo!
Fui eu e não havia nada nem ninguém que me fizesse desgostar ou a deixar aquela oportunidade de lado para me entregar a sentimentos de culpa…
A partida é apetecível, mas faz-nos sentir saudade.
A saudade, aquela vontade de correr e abraçar os nossos, aquela vontade de voltar ao nosso ninho... O imaginar de como iriam ficar contentes as pessoas que amamos com a nossa chegada, e nós por finalmente chegar.
A chegada.
A chegada tardia e madrugadora, mas muito muito desejada.
O retomar daquele abraço inacabado e infindo que nos deixou partir e que de braços abertos permaneceu aguardando ansiosamente a nossa chegada.
Os brilhos nos olhos, os sorrisos adoráveis, verdadeiros e puramente felizes, impossíveis de serem derrubados por qualquer tristeza alheia.
Os nossos rostos de meninos por voltar a Casa.
À verdadeira Casa… Onde se encontram os nossos eternos amantes, onde encontramos as nossas origens, onde sabemos aonde pertencemos, onde sabemos de nós, e quem somos… A verdadeira e eterna casa, que não é material, mas sentimental, a nossa verdadeira casa, é sempre aquela casa modesta que partilhamos com quem nos é querido e nunca apagado ou esquecido. É o nosso lar(lugar).



É bom estar de volta. : ]



P.s. : Fotografia tirada perto do apartamento onde ficámos. SANDI IV, E7 RULLA ! x'D

O vídeo foi feito por um colega nosso enquanto eu e a Joana esquiávamos com aquelas roupas maravilhosas. Eu tnho óculos de mosca, a Joana esquia melhor q eu ! xD

segunda-feira, 31 de março de 2008

Eterna Lembrança



Eu não sei, que mais posso ser

um dia rei, outro dia sem comer

por vezes forte, coragem de leão

as vezes fraco assim é o coração

eu não sei, que mais te posso dar

um dia jóias noutro dia o luar

gritos de dor, gritos de prazer

que um homem também chora

quando assim tem de ser

Foram tantas as noites sem dormir

tantos quartos de hotel, amar e partir

promessas perdidas escritas no ar

e logo ali eu sei...

(Que) Tudo o que eu te dou

tu me das a mim

tudo o que eu sonhei

tu serás assim

tudo o que eu te dou

tu me das a mim

e tudo o que eu te dou

Sentado na poltrona, beijas-me a pele morena

fazes aqueles truques que aprendeste no cinema

mais peço-te eu, já me sinto a viajar

para, recomeça, faz-me acreditar

"Não", dizes tu, e o teu olhar mentiu

enrolados pelo chão no abraço que se viu

é madrugada ou é alucinação

estrelas de mil cores, ecstasy ou paixão

hum, esse odor, traz tanta saudade

mata-me de amor ou dá-me liberdade

deixa-me voar, cantar, adormecer

Tudo o que eu te dou


Tu me das a mim
tudo o que eu sonhei
tu serás assim
tudo o que eu te dou
tu me das a mim
Pedro Abrunhosa


Lembro-me de quando me puxaste pela mão e, em frente a toda a gente me dedicaste esta música.
Lembro-me de tudo o que já fizeste por mim, de tudo e de todos os momentos que passámos juntos… por muito esquecida que seja.
Lembro-me de quando te conheci como se fosse hoje.
Lembro-me do quanto mudaste a minha vida para melhor !
Lembro-me do Primeiro Beijo.
Lembro-me do teu abraço profundo que me é tão indispensável.
Lembro-me do quanto me fazes feliz.
Lembro-me do quanto te quero.
Lembro-me do teu olhar de menino.
Lembro-me de todas as palavras doces.
Lembro-me de todos os gestos queridos.
Lembro-me de todos os sonhos, de todas as mensagens, de todas as cartas, de todos os carinhos.
Lembro-me do quanto me fazes falta.
Lembro-me de toda a tua coragem.
Lembro-me do quanto tu és forte e lutador.
Lembro-me de tudo o que és para mim e que por nada te quero
perder.
Eu
lembro-me e lembrar-me-ei sempre de ti, meu eterno amor
!
Imagem: Fotografia tirada à paisagem espanhola no autocarro.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ondas da Alma


Que dirias tu de mim, se me deixasse cair nas profundezas do nada?
Se me deixasse vencer, se me deixasse de ser mar de incertezas e loucuras sem fim?
Que seria de mim, se nem por mim procurasse nem amasse?
Que seria de mim, sem sóis, sem luzes na vida?
Que seria de mim assim, perdida no tempo pesado, albergando um fardo só meu, sem que eu alguma vez o tivesse escolhido?
Marés vivas, revoltadas com o seu interior, tentam expressar a sua dor em ondas devastadoras, arrasadoras e, até, mortíferas! Ondas loucas, mas ondas que sabem que ondas são, por serem águas agressivas e sentidas, por serem o reflexo do seu estado interior.
Ondas mansas, ondas calmas, insatisfeitas com o vento que lhes direcciona o rumo a seguir. Donas de si estão cientes de tudo aquilo que são, ou de grande parte.
São as ondas que nunca revelarão as revoltadas à terra (n)vossa.