sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Asas Para Voar


Dá-me asas para voar.
Para ser mais que os pássaros que rasgam o céu.
Quero ser uma nuvem com formas estranhas para rirmos ao mirarmos o céu azul e infinito. Com a sua cor tão bem definida e impossível de retratar.
Diz um outro nome meu. Inventa-o.
Recria-me. Quero fugir.
Quero estar e sentir-me noutro lugar porque neste já não me sinto há muito tempo.
Elevei os pés da terra, agora só preciso do par de asas que me resta para ser num outro lugar.
Espera-me o desconhecido. E tenho esta necessidade fortíssima e arrebatadora de me ausentar. Só me apetece apagar da minha memória grandes momentos. Esquecer-me de quem fui e sou. Um erro, se calhar. Todavia, neste momento em nada mais quero pensar.
Estar aqui presente ou não estar é simplesmente o mesmo.
Diz-me que eu vou.
Mente-me com todos os dentes que transportas na boca.
Mais uma vez sonho e nada se concretiza. Vou deixar de sonhar para não me iludir.
Vou agarrar-me com unhas e dentes à realidade que magoa e vou ser triste como todos os outros
...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Devolve-me quem eu era


Fecho os olhos e deixo as lágrimas corajosas invadirem-me o rosto.
Não há forças que me restem. Tudo me leva, tudo me consome. Estou sozinha e entregue à minha sentença. Tenho aquilo que mereço. A confusão na qual me meti e agora imploram-me para aguentar o que não consigo.
Não adianta sorrir se não tenho sorriso para mostrar.
Quero ser quem perdi.
Encontrar-me no vácuo e falar sem que a minha voz ecoe no nada que não me responde.
Sinto cada lágrima como se fosse a última. Como é possível fazer um mar de mim por uma só pessoa?
Quando me apareceste eras tão diferente. Tão receptor dos meus sentimentos e recíproco.
Perguntas como é que isto nos aconteceu e apontas-me o dedo quando por muita coisa que eu tenha sido, tu foste muito pior! Fizeste-me coisas impensáveis e imperdoáveis que eu nunca te faria, mas que te perdoei.
Olha para ti. Um homem feito com tão pouca cabeça. Demasiado confiante daquilo que não é.
Não queres saber de como me sinto. Falas como se eu fosse forte, mas eu por muito que queira, já não o consigo ser.
Sou nada. Vagueio por um lado qualquer que não me interessa porque não me sinto nele.
Estas emoções tão condoídas já não me deveriam pertencer.
Olho para o céu infinito e quero nele morar, longe desta terra pecadora que piso!
QUERO!
QUERO SER GRANDE!
QUERO SER LONGE DAQUI!
Pertencer a lugar nenhum, onde ninguém eu conheça e que ninguém saiba nem queira saber de mim. Onde puderei ser eu sem pudor nem receios.

Devolve-me quem eu era.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

'And It Feels Like Tonight, I Can't Believe I'm Broken Inside'




Não sei como é que depois de todas as águas passadas, a tua presença infame ainda me incomoda tanto.
Vagueia para outro sítio e deixa este meu luarzinho no meio da floresta que me retém salvaguardada.
As tuas armas falíveis e corruptas não me conseguem daqui atingir. Todas as tuas tentativas serão falhadas. Desiste. Cessa como já o fizeste. Dá pelo menos uma vez na vida parte fraca e admite o erro.
Eu admito os meus. Com eles far-me-ei mais forte, e não me vou deixar cair noutra teia esburacada feita por um aranhiço qualquer em fase de decomposição.
Quero redimir-me de todos os meus equívocos e, principalmente, de ti.
Tu que me transformaste em quem não sei e, que levaste o melhor de mim sem o saberes aproveitar. Deitaste tudo de mim ao mar.
E agora deito eu momentos, sentimentos, lembranças, palavras, gestos um tanto ou quanto não sentidos. Quero libertar-me de ti e de tudo o que me fizeste ser.
Quero saber ser-me de novo. Sem medos, sem limites de expressões, tempo ou espaço.
Quero livrar-me deste sentimento de culpa que me detém como sua prisioneira.
Quero passar pelas grades que a ti me prendem e seguir na direcção da luz.
Quero reencontrar-me.
Vou reencontrar-me.
Nada do que faças me roubará a vontade inabalável que tenho de me libertar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Do Alto Precipício


Saltei. Atirei-me do mais alto precipício.
Fechei os olhos, abri os braços e deixei que o vento me levasse para longe da terra firme.
Senti o meu corpo gelar ao entrar em contacto com a água lacrimosamente salgada.
Da cabeça aos pés não me senti. Mergulhada no Nada que nada era, quis apenas estar comigo, sozinha, para poder estar com os outros.
Estar comigo um tempo, no profundo oceano que tantas vezes procuro e me é distante. Quase me foge. Menos hoje. Hoje estava lá, ondulante e com um olhar incerto, receptor da minha dolência.
Enrolou-me na sua maior onda e ali fiquei estarrecida, revelando-me.
O problema nunca são os sonhos que imaginamos, mas sim o acordar. Acordar para ver a luz, para ganhar uma força que nos transcende, que em nós irradia, mas que não a podemos ver nem da sua existência saber.
E no fundo do alto mar, procuro o meu tesouro de pirata bem fechado como se espera. Todavia, mais do que procuro esse tesouro, procuro a única chave que abre tal delicada fechadura. A sua forma é tão simplesmente condoída e intrínseca e assume-se como minha procurada. Não sei ao certo o que procuro. Germina em mim a dúvida acerca de todas as coisas. As dúvidas do meu cepticismo inderrubável. Este não possui qualquer tipo de chave ou abertura para se assumir como Verdade absoluta.

domingo, 26 de outubro de 2008

Canta-me


Será que ainda cantas a mesma canção com o mesmo embale que lhe deste?
Aquele que só tu cantavas com aquela diferença. Por ser teu. Por ser tua a voz que ouvia e mais nenhuma.
A tua linguagem que sempre usaste para comigo… Tão nua de preconceito, tão despida de crueldade, tão transparente de índole.
Queria ser livre de expressões, livre na escolha dos vocábulos. Olhar para o céu sem ressentimentos nem remorsos, sem lembranças penosas. Expelir o que interiormente me acusa e libertar-me dos meus medos. Recuperar a felicidade que deixei caída no tempo inarrável.
Poderia ser quem tu és, mas não sou fria. Sou sensível, condoída, susceptível a um choro interminável, salteador da vontade de sorrir.
Sou quem sou e o que sou, como me fui e me vou traçando por entre estradas falíveis e deterioradas às quais ninguém pode fugir.
Corrupto.
É o que tu és. Por me arruinares sentimentos, sem saberes ao certo orientar os teus actos, as tuas palavras, as tuas orações mal formadas, a tua linguagem tão incipiente e fúnebre. Prometedora, mas mentirosa. Sobretudo mentirosa, dolosa, vergonhosa.
Atitudes que não te deveriam pertencer.
Engrandece-te.
Falamos depois.
Cantamos a nossa canção numa outra data, tal como me fizeste, quando em ti ainda imperava a vontade.
Vontade de amar.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Ego na multidão


Fui tentar-me no alto de mim
Quis ser quem não sei
Medo de ser mais que eu talvez
Medo de ser alguém.

Fui falar-me às vozes ouvintes
Procurei nelas respostas ansiadas
Refugiei-me na minha angústia
Das aventuras passadas.

Fui ver-me ao Passado
Tão esquecido como de nome é
Não me veio a mim a montanha
Quero ser como Maomé.

Fui a identidade que perdi
Sou o nome que abandonei
Letras soltas sem sentido
Não tenho sequer apelido
De onde virei não sei.

Fui ser e não soube
Quis acreditar em mim inutilmente
Sou tudo aquilo que desconheçoDizem-me que até sou gente.

Fui e sou parte da multidão
Que todos vêem, mas que ninguém repara
Sou tão visível como os outros
E tão insignificantemente rara.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Quero esquecer-me de ti


Levanto-me do sofá corroído pelo tempo infame e procuro o meu reflexo.
Perco-me nessa observação e vou para além do olhar. Perco a noção do tempo e vagueio para outras vivências antigas que teimam em magoar-me, como se a competir estivessem.
Percorrem-me o pensamento destemidas e tenazes lembrando-me da solidão em que me encontro. Lembrando-me do meu sorriso que, nesta altura tão importante, me foi sequestrado.
Queria-lo de volta. Mas pedi-lo é demasiado porque até agora não obtive nenhuma resposta ao meu tão desejado requerimento.
Sou messiânica. Inexplicavelmente é a única explicação para ansiar tudo aquilo que não virá, tudo aquilo que não poderei recuperar.
Tenho mais do que vontade de chorar e mais do que razões para o
fazer. Todavia, tenho também um estranho e irreconhecível sentimento que não quer revelar o meu estado interior.
Sinto tanto a tua falta. E o péssimo é saber que não a deveria sentir e não conseguir.
Talvez a morte ao coração não seja assim tão violenta como soa a palavra e, quiçá, até acabaria com este meu desgosto.
Disseste que me amavas com uma voz tão inocente à qual nem os que assim são conotados se atreveriam a fazer frente. E nem o fizeram.
Ver-te, imaginar-te, saber de ti, conhecer-te só me fere mais. Preferia esquecer-me de ti.
E se me esquecesse, conseguiria não voltar a cair neste horrendo erro de amar?
Espero “messianicamente” que não, mas sei conscientemente que sim.
Parece que quanto mais vivo mais me iludo em palavras que tomo, à partida, como mentirosas, ignorando-lhes o rótulo.
Procuro em ti a pessoa que em ti morreu e que em mim vive. Solta, livre, leve. É como ar que respiro, não lhe importa a limitação do tempo, nem de nada. Vive porque lhe dou o que necessita para tal.
Estimulo-lhe a essência sem obter qualquer retorno.
Quem procuro querer não existe, fez-se por existir enquanto pôde, enquanto quis. E eu, apelando fortemente à minha ignorância mais profunda acenei com a cabeça, como se de uma infantilidade se tratasse. E tratava-se, mas não quis ver isso.
“Cada um faz a cama onde se deita”. Eu apenas fiz a minha. Agora? Agora deito-me dela.
Abandono o meu triste reflexo que nada de bom me traz e reconforto-me no leito dos problemas, visto que é o único que ainda me aceita para nele me recolher.
Insulta-me todas as noites. E todas as noites esses insultos impetuosos eu mereço.
Doem. Mas dói mais pensar em ti.
Pensar no que por ti sinto.

Vou fingir que te esqueci.