Sou o que o céu me esconde.
Não me conta, quer ensinar-me o que não quero viver.
Sei tanto que me vou magoar. Sei tanto que não o quero. Sei tanto que não sei nada e nada o céu me conta. Sabe tanto, mas as palavras audíveis continuam em falta.
As atitudes positivas não parecem valer a pena e as negativas parecem ser inúteis e dispensáveis.
Mas se com sentimento me exprimo sou tão ridícula e menosprezada. E o sentimento é apenas ar e parece uma palavra no vácuo ainda que não o seja.
Os olhos seguem-me com uma indiferença perturbante e inigualável.
Não sei o que sou para essa essência que me tanto elucida e tomo como minha e em que tanto quero acreditar.
Mas as emoções parecem ruir enquanto as minhas florescem. Se o demonstro é como se nada fizesse. Se o não fizer, então não o fiz e os dias passam pautados por uma rotina baseada na indiferença e no hábito que não procuro.
Quero mudá-lo e, por isso, rompo com boémio e faço-me menos opaca, mas parece que não é notório.
Começo a esgotar as ideias para me notares e entristece-me pensar que poderás não estar à espera daquilo que te posso oferecer.
As minhas palavras perturbam-te, as conversas aborrecem-te, as minhas afecções incomodam-te… que hei-de eu pensar então? Que partilhamos um sentimento intrínseco e puro?!
É estranho pensar no quão revoltas estavam as ondas que me levaram a ti e, agora que as consegui vencer, não me encontras, não vês, não ouves nem desejas.
Sei que em mim reina o negativismo, mas não me queres mostrar nada contrário a estes juízos infames por isso, ainda que tente, retorno sempre a este ciclo vicioso em que eu mesma me inseri.
Serei assim tão desinteressante ao ponto de quase me sentir nula para ti?
Por que razão não me sentes tu?
Perguntas e perguntas sem resposta. Distantes. São apartadas para ti e não lhes consegues responder com acções, apenas com palavras vazias. Vazias porque não as demonstas e ambos sabemos que quando assim o são, as palavras são apenas palavras e amor é equivalente a pedra. Pois não têm cheiro, nem são palpáveis, nada têm senão palavras.
Quero ser o que sei que posso ser e atingir o meu máximo contigo, mas tu não me dás qualquer indício de que o posso ser. Portanto, o medo continua a ser em mim uma constante.
E mesmo quando sou forte e procuro dar luta sinto-me como uma criança que tenta vencer as ondas incontroláveis do mar salgado, mas que logo que se avista uma onda mais próxima foge a correr. A diferença está que, enquanto a criança encontra algum fascínio nisto e o faz vezes sem conta, eu sinto-me incapacitada e invisível e, assim sendo, não encontro razão que mereça esse meu esforço se sei que no final é o meu rio que vai desaguar nesse mar.
Estou insegura. Estou. Quero que me queiras sem que to peça, sem que seja preciso veres-me triste para pensares em dares-me mais de ti. Quero que isso venha da tua pessoa, pelo que tu sentes e por mais ninguém, para que seja verdadeiro e não verosímil. Porque quando o fazes, não há nada que mais me alegre senão a tua espontaneidade ao fazeres-me sentir especial. Ainda não o descobriste se calhar. Ou então não o queres descobrir. Se for esse o caso, então peço-te encarecidamente para me largares a mão porque em ti ela não encontrará o seu leito.
Não me é suficiente sentir que estás bem comigo, preciso de saber que te faço falta, preciso de ver que tens garra se for preciso puxares-me para ti para me sentir querida. Se não o demonstrares mais vezes eu não sei. No início soubeste agradar-me tanto por que é que agora te desleixaste?! Agora esqueces-te.
Desculpa não poder ser mais compreensiva e necessitar da tua atenção.
Desculpa-me por gostar de gostar de ti.