Espreito por uma encruzilhada que percorri e tudo é tão sombrio e frio.
Queria tanto saber se é fiável ou não confiar na luz que em mim incide o seu brilho tão peculiar, ou se tudo é tão irreal como o eterno que é efémero e doloso.
Talvez um beijo singular.
Ou um simples gesto, pois o preciosismo persiste na sua simplicidade e há tantas palavras vazias.
Queria um olhar que me contasse segredos que apaziguariam os sonhos.
Anseio um pensar menos penoso que poderia elucidar-me e voltar a mim. Porque de ti perdi-me o rasto.
O medo enclaustra-me todas as saídas e faz-me sentir só.
Sinto que não sou vista nem ouvida, sinto que não existe luz nenhuma que me vá guiar e combater estes meus receios. Preciso de me fazer notar, mas já não sei como fazê-lo.
Quanto mais luto pela atenção que aspiro ter mais ridícula pareço ao tentar obter aquilo que não me está reservado. Queria, utopicamente, ser como uma propriedade a que deitarias a chave fora.
Queria subir aos limites celestes e sentir-te comigo. Porque não consigo albergar emoções que a mim não pertencem.
Eu sei que posso fechar os olhos e cair no erro de evocar o sempiterno quando o sentimento cresce e nos rouba algum ou, até mesmo todo, o sentido, mas necessito de saber que o chão não é tão corrosivo nem falacioso como parece.
Queria oferecer-te o melhor de mim, um sentimento imaculado, depurado, liberto e determinado, verdadeiro e sonhador.
Todavia, preciso de alguma receptividade.
Queria tanto que me visses e notasses. Queria não ser o banal, nem o hábito, queria que visses que também em mim prevalece uma singularidade, como em todos nós, na qual talvez não tenhas interesse em descobrir por pensares que não detenho tais características.
Queria corresponder aos teus sonhos e sentir-me valiosa.
Queria saber que as tuas palavras são tão cheias quanto é possível e ter a certeza de que a tua luz em mim não se apaga.
Diz-me que sim.
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