sábado, 11 de abril de 2009

Eterno Carnaval


Parece que afinal entrei num jogo infindável. Onde a mentira destrói verdade e não sei mais em que acreditar nem me posso dar ao luxo de dizer que tal absurdo existe.
Quando olho em redor tudo é escuro, turbulento, tudo me come por dentro.
Não existe nenhuma nesga de luz e os meus olhos estão corroídos por verem tanta ilusão.
As minhas feridas não saram porque esconderam-me a cura.
E as palavras não passam daquilo que são, de verdades parciais. Hoje, afirmo com a clareza que uma invisual pode ter, que nem parciais são. A verdade é fantasia e a mentira é fantasia, os factos não existem e o real mistura-se com a agonia do imaginário, do falso, da maldade que persegue este mundo por muito que este procure a evasão.
Queria-la eu. Para quê? De que me vale se não passa de algo temporário? Obrigada por me fazerem esquecer de que existe um lado positivo, que no fundo do túnel existe realmente uma luz pela qual devo lutar, a Felicidade.
Ilusões. Mentiras que se seguem umas atrás das outras com uma ordenação impressionante e tão incrivelmente duvidosa. Ponho-lhes os olhos em cima, se nada mais está ao alcance da minha visão nem, sequer, da periférica.
Não sei como agir, não sei como desabafar comigo.
Perdi tudo.
Não tenho certezas.
Acho que vou deixar só deixar os anos passar e permacer na ignorância com que, pelos vistos, sempre fui ensinada.
Quem sabe se os meus princípios não pertencem também ao ramo da irrealidade e do benefício próprio, onde o único umbigo realmente importante é o nosso e o de mais ninguém.
Roubaram-me a minha essência que me mantinha esperançosa, que me fazia ter vontade de ser a ponte que sou. Fizeram-me duvidar de tudo e entrar num cepticismo profundo semelhante ao de Descartes num certo momento. Pena o meu ser mais duradouro.
Agora já nada quero ser. De mais nada quero saber. Não me façam sorrir se não há alegria. Não me obriguem a fazer parte do vosso mundo corrupto.
Tirem-me daqui.
Porque eu aqui já não moro.

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