quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma História de Bonecas


E se a vida fosse como uma história de bonecas. Em que podíamos alternar a vida das mesmas consoante fosse a nossa vontade.
Éramos donos de todos os sonhos e aspirações que não passam disso mesmo, excepto numa história de bonecas.
E os brinquedos casam e descasam, namoram eternamente, têm filhos e vivem uma vida à base do perfeito. Da perfeição que não conhecemos, mas que procuramos criar. Porque, no fundo, a nossa vida nada mais é do que uma boa fotografia desses tempos juvenis, onde a nossa imaginação é sempre crescente e a vida é um jogo desejável de se jogar.
Os erros são também eles frutos apetecíveis de trincar e julgamo-nos todos felizes enquanto brincamos. Enquanto as más escolhas nunca trouxeram lágrimas a outrem senão a nós mesmos por, talvez, vivermos demasiado aquilo que com que jogamos.
Infelizmente, a vida real é um pouco mais séria do que aquilo que julgávamos e nem sempre nos apercebemos disso, a tempo. Crescemos, abandonamos os bonecos à sua sorte na mais alta prateleira e, relembramos fantasias quando paramos para olhar para o passado. Sabemos que progredimos e que o jogo acabou, mas, sem nos darmos conta, continuamos a viver dando tanto alento à vida mundana como à da fantasia. É, por isso, que muitas das vezes quando nos bate à porta a severidade do real, este vende-nos apenas as más decisões tomadas e todas as consequências que com as mesmas acarretámos.
Pedimos uma mudança vezes sem conta.
E pedimos de novo e de novo, incessantemente, mas o tempo atrás não volta. Pelo menos por agora.
Quando era altura de agir, deixámo-lo correr com o vento. A sua velocidade era consoante o nosso entretenimento, completamente desligado de quaisquer problemas, porque brincávamos. Brincávamos e brincamos até a corda não mais esticar e partir. Aí não há cola que agarre nem nó que a prenda. Ficamos apenas com duas pontas de uma corda áspera, irremediável e, choramos. Lá lágrimas não nos faltam.
Nem choro que ate cordas, nem erros que se emendem, nem tempos que recuem.
Há mentalidades que desenvolvem, há pessoas que crescem. Há quem não se dê conta da sua própria evolução e fique estagnado na sua infância, à espera de solucionar o problema com um apenas “não me apetece mais brincar” e um guardar de bonecos.
Esquecem-se que agora, a deliberação prévia das suas acções é bastante requisitada para evitar lágrimas nossas e de outros. E que não podemos brincar com a nossa vida, muito menos com a dos outros, como um simples agora quero e agora já não. A vida parece, mas não é, um jogo nem, muito menos nós, somos bonecos. Não andamos com palavras de ninguém nem com pernas emprestadas. Temos cérebro e sabemos pensar.
Sabemos levar um não e dizê-lo.
Sabemos, sobretudo, que temos sempre que seguir em frente.

1 comentário:

Anónimo disse...

Muito Bom rapariga!

Continua e pensa que as tristezas também servem para nos abrirem os olhos ;)

beijao*
AR*