sábado, 4 de abril de 2009

Andar Sem Avançar


E se eu voasse. E me fosse ser longe daqui. Uma vez que, por mais que procure estar no meu ninho, o mundo encontra-me sempre. E com ele traz a falta de ar da qual eu tento fugir e esconder-me.
Não é que me incomode a sua vinda, mas às vezes é tão bom estar longe. Sentirmo-nos livres e desagarrados do passado. Passado esse que teima em perseguir-me.
Por mais que eu corra ele apanha-me.
Por mais recôndito que seja o meu abrigo ele conhece-o.
A sua omnipresença é, por vezes, perturbadora. Quero respirar o ar do presente com os olhos postos no futuro sem sufocar com a impaciência das memórias que nem importância têm e que, no entanto, procuram vir ao meu encontro.
Talvez o voar seja algo tentador, mas demasiado utópico. Ou então poderão ser as minhas asas incompatíveis com o tipo de voo que pretendo alcançar, ou não se adequa a aves do meu tipo, ou um bilião de coisas que tornam este meu desejo insaciável.
Começo a considerar que não importa a largura deste planeta azul, se o mundo é realmente tão incrivelmente pequeno.
Dois passos e não importa o lugar, com o Passado ao meu lado, sinto-me parada, exactamente no mesmo sítio.

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